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Opinião

Parece brincadeira... - Editorial

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Apesar da lógica dos argumentos, não há como não se surpreender com conclusões retiradas de pesquisas contemporâneas sobre as relações de consumo e o meio ambiente. Este é o caso dos resultados de uma pesquisa internacional, divulgada anteontem, onde o Brasil é apontado como o líder entre os ?países importadores de água virtual agrícola? (!). Estupefatos, os brasileiros perguntar-se-ão: ?Mas como pode? Não somos um dos países mais ricos em água?? As respostas subseqüentes esclareceriam às consciências pesadas brasileiras que este criativo critério considera a água em trânsito no interior de produtos comercializados entre países. Ou seja, a ?água virtual agrícola? leva em consideração a suposta quantidade d?água usada em plantações destinadas a produção de alimentos, bebidas e roupas. Pelas contas desse inovador método (será científico mesmo? Perguntar-se-ão os céticos) o Brasil exportaria 91 bilhões de m³ d?água agrícola virtual por ano e importaria 199 bilhões de m³ de água agrícola virtual no mesmo espaço de tempo. Daí o saldo: importamos 107 bilhões de m³ por ano. O instigante estudo discorre ainda sobre as quantidades d?água usadas para produzir uma camisa com o algodão cultivado no Paquistão ou no Uzbequistão ? e outras informações de igual relevância. Certamente tais estudos não produzirão imediatamente grandes repercussões, nem aqui nem alhures. Mas, não estamos diante de uma brincadeira. As ilações dos pesquisadores representam um sentimento constante de atenção para com a água. E, importando ou exportando água virtual, o Brasil é detentor de preciosas e imensas reservas de água real; e isso merece toda a nossa atenção, pois o resto do mundo está muito atento a tudo que diga respeito a essa substância vital: a água.

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