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Opinião

A li��o de casa

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| ANA CLÁUDIA LAURINDO * Os temas delicados são fascinantes, discuti-los dentro da polissemia da língua pátria parece desafiador, mas não devem ser omitidos, embalados em finos papéis que não fazem barulho, sem querer incomodar, pois em qualquer tema encontramos a possibilidade de incômodo, e também é assim que a humanidade avança. Estatuto da Criança e do Adolescente ? uma pedra no sapato, uma válvula de escape, um martelo na mão, um discurso inflamado e uma esperança de justiça! E muito mais. Observamos peculiaridades na relação desse código com a sociedade e vice-versa, caminhos que se constituem verdadeiros ziguezagues jurídicos. Força dos conselheiros tutelares, batalhadores em contextos adversos, escassamente municiados de conhecimento amplo que pudesse capacitá-los a leituras mais ponderadas desses mesmos contextos que a todos engole: a sociedade de classes, divisora e excludente. Instrumento nas mãos da Justiça dos homens, aplicado a alguns com severidade publicizada, enquanto outros, igualmente infratores dos mesmos artigos, continuam a dormir e acordar para a impunidade de cada dia. Desde os governantes, descumpridores de suas funções públicas no atendimento às necessidades da infância aos agentes de segurança pública, distribuidores de tapas e safanões, que mesmo quando denunciados, a nada respondem, afirmando a desigualdade no uso do mesmo instrumento. Como podemos nos sentir justiçados ao ver uma mãe paupérrima ser condenada com base no ECA a perder a guarda dos filhos porque não lhes garantiu direitos, por precisar sair de casa para trabalhar e alimentá-los. Há algo silenciado nessa relação, um incômodo que emerge, pedindo para ser enfrentado pelos responsáveis pela aplicação imparcial da lei. Há denúncias na Comissão de Direitos Humanos da OAB/Alagoas registrando essa verdade. Esperamos que Alagoas não descambe pela omissão diante dos crimes considerados ?pequenos?, porque a impunidade é a geradora dos grandes crimes! Nossas crianças e adolescentes já nascem com desvantagens no acesso aos bens considerados básicos, para ainda receberem pancadas e torturas psicológicas daqueles que, em tese, deveriam estar protegendo suas integridades físicas e morais. Já que resolvemos passar a lição de casa a limpo, vamos fazer bem feito. Vamos distribuir pelo menos os valores, enquanto ainda não distribuímos renda e qualidade de vida. (*) É cientista social.

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