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| RONALD MENDONÇA * Não é de hoje que professores do ensino médio querem empurrar ideologias políticas ou religiosas nos seus jovens alunos. Pessoalmente, convivi com essa situação durante doze anos, quando esquentei as bancas históricas do Colégio Marista, à época, Diocesano. Braço de uma rede de ensino de orientação católica dirigida pela ordem religiosa criada pelo padre francês Marcellin Champagnat, o Diocesano investia pesado nas suas convicções. Com certeza extrapolava. Embora as evidências científicas de há muito já caminhassem em sentido contrário, os estimados irmãos mostravam-se, por exemplo, reticentes em aceitar obviedades como a Teoria Evolucionista de Darwin. Lembro de certa aula de filosofia em que se tentava provar a existência da alma. O professor tomaria como exemplo um fato vivido por um filósofo grego que ao chegar à casa de um amigo o encontrou sem vida. Desesperado, teria tentado fazê-lo despertar erguendo-o. Diante do fracasso, o notável filósofo, abatido, reconheceu que faltava algo ao falecido. Segundo ele, esse ?plus vital? seria a alma. A propósito, a revista Veja desta semana analisou dados de pesquisa CNT/Sensus reveladores sobre as causas da má qualidade das escolas no Brasil. O tema é atualíssimo. É que o País, num ranking internacional, tem demonstrado desempenho que beira o ridículo. A aludida pesquisa confirmou fatos que a rigor já eram bastante conhecidos. Por razões diversas, parece não sobrar tempo, paciência ou competência aos pais de todas as classes sociais para sentar com os filhos e rever os deveres de casa, estudar com eles ou conferir os conhecimentos através da velha e boa prática da tomada diária da lição. No quesito professores, o bicho pega. Adotada a laicização como boa norma, hoje um fenômeno largamente difundido é a chamada esquerdização do ensino, em detrimento da isenta transmissão de habilidades científicas, função básica da escola. Assim, boa parte dos mestres, numa espécie de marcha a ré na história, proclamam discursos anacrônicos, oferecendo viés pessoal aos fatos, mais das vezes equivocado, habitualmente eivado por feridas da alma mal cicatrizadas. Por outro lado, numa espécie de maldição da serpente, os professores no Brasil têm remuneração humilhante. Essa é a raiz do nivelamento por baixo do magistério no País, uma vez que os mais dotados fogem da profissão ? espinhosa, não obstante nobre ? e buscam aprisco longe das inóspitas salas de aula. (*) É médico e professor da Ufal.

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