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Opinião

Duplica��o de rodovias - 2

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| VINÍCIUS MAIA NOBRE * Alguns ambientalistas desconhecem a situação das nossas lagoas. Não enxergam que elas vêm paulatinamente sendo assoreadas pelos rios que nelas deságuam ante o desmatamento em todas suas bacias para plantio, principalmente da cana. Caso não se tomem medidas adequadas para contenção do carreamento de materiais sólidos trazidos pelos rios não é qualquer ponte ?discordante? que provoque o fechamento da barra das lagoas e acabe de vez com o nosso tão formoso complexo lagunar. Muitos deles não se lembram que o aterro hidráulico formador do dique-estrada teve como objetivo evitar o transbordamento da lagoa quando das grandes cheias do Mundaú. É necessário que recordemos que ao se executar as pontes de travessia dos canais das lagoas na AL-101/Sul, não existia qualquer limitação que não fosse a imposta pela Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha quanto ao gabarito para passagem de embarcações. E isso se fez sem que houvesse entalamento. Também não havia órgão ambiental para licenciamento de projetos. Aterro sobre o espelho d'água numa das cabeceiras para o acesso de uma ponte tão alta foi construído numa única margem, sem impedir, portanto, as correntes dos canais principais e modificar o equilíbrio do conjunto pela já alterada batimetria. Toda e qualquer intervenção no nosso complexo lagunar para melhorar e atenuar o atual quadro de assoreamento e poluição deverá passar por obras de base nas bacias hidrográficas dos rios que nele deságuam, principalmente o Mundaú e Paraíba. A importância dos mangues entre nós era relegada e tanto assim era que se definia como ?...uma espécie de lama escura e mole?. Aterrados, serviam para outros usos. Não fosse a construção do trecho da AL-101/Sul há 30 anos, imaginamos quase nada teria sobrado dos mangues, pois a retirada de madeira para o feitio de casas de taipa e carvão era em escala crescente. Voltemos agora à duplicação. Nada temos a divergir do projeto técnico senão a previsão de uma nova ponte à jusante da atual, no canal principal. Discordamos pelo simples motivo de sonharmos com a substituição da obra de travessia de dutos com produtos químicos, uma verdadeira geringonça que ali está para enfear a bela paisagem. Sabemos que a prioridade do governo estadual é a duplicação da AL-101/Sul. Os do norte é que esperem, se emperrem nos gigantescos congestionamentos e se conformem por serem mais velhos na pavimentação em 15 anos. Maceió agradece. (*) É engenheiro civil.

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