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Torcedor doente

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LUIZ GONZAGA BARROSO FILHO * A paixão, esse sentimento capaz de nos levar a cometer desatinos irreparáveis, às vezes, também é responsável pela prática de atitudes saudáveis como as demonstradas pelo povo brasileiro durante a última Copa do Mundo de Futebol. As apaixonadas manifestações de apoio à Seleção, até à custa de algum sacrifício dos torcedores, em virtude do inconveniente horário dos jogos, foram recompensadas com a importante vitória do Brasil, mostrando-se, mais uma vez, que a paixão pelo futebol é um fenômeno que objetiva proporcionar alegria, prazer, além de prestígio do País no cenário esportivo internacional, ao contrário de outras formas perigosas de paixão caracterizadas pela emoção crônica e pela violência que só desenvolvem ódio, ciúme e vingança, sentimentos condenáveis, responsáveis pelos crimes passionais, assim conhecidos no mundo jurídico. Aqui, a paixão não tem a conotação patológica de que tratam o direito penal e a psiquiatria. Ela é bem-querer e o passional é apenas sinônimo de ?torcedor doente?, aquele que se emociona, canta, chora, ri, critica e, também, fica indignado com o seu time favorito, mas respeita os adversários, prevalecendo sempre o espírito esportivo, independentemente do resultado da competição, conforme o exemplo observado na última partida entre a Turquia e Coréia, quando depois do jogo os atletas dos dois países formaram uma corrente e foram até a margem do campo saudar os torcedores, abraçando-se fraternalmente, numa demonstração de que é possível evoluirmos como indivíduos e vivermos num mundo melhor, inclusive, contando com a contribuição do esporte. A propósito de paixão clubística, antes mesmo de começar a torcer para o CSA, sou torcedor do Fluminense Futebol Clube, campeão carioca deste ano em que está comemorando o seu centenário de fundação. O fato de ser alagoano, nunca ter vivido no Rio de Janeiro e ser apaixonado pelo ?tricolor das Laranjeiras?, parece estranho, mas isso se deve à influência de um cidadão chamado Manoel Torquato (?Seu Neco?), ?torcedor doente? do Fluminense, de quem fui vizinho, quando tinha 5 ou 6 anos de idade e costumava freqüentar a sua casa que era quase toda decorada com objetos representativos do time pelo qual passei a me interessar, depois de aprender com o ?Seu Neco? um pouco da história do clube, que teve um jogador de nome Preguinho, autor do primeiro gol da Seleção Brasileira em Copas do Mundo; que é a maior escola de goleiros do nosso futuro; que os dois goleiros da Seleção na Copa de 1954, Castilho (titular) e Veludo (reserva) eram do Fluzão, que foi Campeão Mundial de 1952. Fundado em 21 de julho de 1902, o glorioso Fluminense é o time que mais vezes foi campeão no Rio de Janeiro ? possui 29 títulos estaduais ? e o seu uniforme nas cores grená, verde e branca é o mais bonito do Brasil, este país sofrido que agora vai a caminho do hexa, mas não pode deixar de buscar outros caminhos, sem prescindir da ajuda do futebol que, de viés, é um excelente ?produto? de integração e desenvolvimento social, contrariando a opinião de alguns ?intelectualóides? que vêem o futebol como coisa de alienado. (*) É ADVOGADO

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