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Uma quest�o de justi�a

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| RENAN CALHEIROS * A histórica luta por um Piso Nacional de Salários para os profissionais da educação é uma tarefa de primeira grandeza que precisa ser assumida por todos aqueles que querem o desenvolvimento do Brasil e o bem-estar de sua população. Uma nação soberana, que almeja a melhoria das condições de vida de seu povo, somente se edifica com investimentos em educação. E a valorização do professor é um dos principais componentes desta tarefa. Acompanhei a tramitação do piso em todas as comissões até a votação pelo Plenário. A partir de sua sanção, o assunto saiu da pauta de reivindicações e entrou na esfera do direito conquistado. O valor de R$ 950,00 passará a valer a partir de janeiro de 2009 e deverá estar completamente ajustado em todo o País até 2010. Além do piso, a nova lei obriga Estados e municípios a reservarem pelo menos 33% da jornada de seus professores para atividades extraclasse. Como toda medida inovadora, embora essencialmente necessária, há no caminho para sua implantação algumas dificuldades que precisam ser contornadas. A maior delas diz respeito às providências que Estados e municípios terão de adotar para se adequar à nova lei. Leio nos jornais que, antes mesmo de entrar em vigor, o novo piso salarial está ameaçado. Alguns querem que a Casa Civil e a Advocacia-Geral da União revisem a constitucionalidade da lei. Outros já encaminharam os estudos sobre a lei para análise nas Procuradorias Gerais dos Estados. Mais uma vez, será preciso apelar ao bom senso de governantes, das entidades de classe e de toda a sociedade. Sabemos que nosso País tem dimensões continentais e que as diferenças entre as regiões mais ricas e mais pobres são extremas. Mas não podemos colocar em risco uma conquista histórica e democrática como esta. Que futuro teremos sem investimento no ensino e no profissional de educação? Alagoas tem passado por momentos difíceis, como muitos Estados do Nordeste. Enfrentamos uma greve de professores. E as reivindicações da categoria eram sempre muito justas. Acompanhei de perto todo o processo de negociação, a luta pela isonomia salarial. E graças à sensibilidade social do governador Teotonio Vilela Filho, o Estado tem hoje um piso salarial dos professores de R$ 946,00, o terceiro maior do Nordeste. Educar pode ser uma arte. Mas é também um trabalho de grande impacto social, com repercussão direta no desenvolvimento do País. Seria impensável uma nação sem escolas, sem estudo e sem professores. Por isso, vamos lutar para valorizar nossos professores e cuidar de nossas gerações futuras, que vão viabilizar um Brasil mais justo e menos desigual. (*) É senador pelo PMDB-AL.

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