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Opinião

Realidade inaceit�vel

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Representantes de 186 países, que estiveram reunidos na Cúpula Mundial sobre Alimentação realizada em Roma, em 1996, consideram como inaceitável a fome no mundo moderno. E logo se dispuseram a desenvolver os esforços necessários para reduzir à metade o número de pessoas famintas no mundo até 2015. Reunida novamente em junho último, na capital italiana, a mesma cúpula teve motivos para comemorar alguns avanços obtidos em cinco anos e meio depois. À exceção da meta de erradicação, que não foi atingida em nenhum País. Nesse mesmo mês, o jornal O Globo trouxe uma matéria do New York Times apontando as guerras, os desastres naturais e as políticas públicas insuficientes como os maiores responsáveis pelo fracasso. E também destacando que, embora a população mundial esteja crescendo, o número de pessoas que passam fome vem diminuindo em cerca de 6 milhões por ano?. Em 1996 eram 840 milhões de famintos em todo o mundo. Atualmente, esse número é estimado em 815 milhões. Os organizadores dessa última conferência observaram que a quantidade de pessoas que passam fome em todo o planeta não tem sido tão rapidamente como deveria. E para isso seriam necessários investimentos de US$ 180 bilhões por ano nas áreas rurais. E de acordo com dados mais recentes, a cada 3,6 segundos uma pessoa morre de fome no planeta. Há 790 milhões de pessoas desnutridas só nos países em desenvolvimento. Por dia, são 24 mil os mortos pela fome crônica. Há, ainda, as estimativas indicando que mais de 95% do aumento populacional ocorrerá nos países pobres. E que é preciso dobrar a oferta de alimentos para suprir as necessidades da população mundial em 2020. O Brasil é um dos países cujos dirigentes devem se empenhar cada vez mais no combate a esses problemas, pois estamos entre as nações com maiores quantidades de pobres e de pessoas mal alimentadas. Principalmente crianças e idosos, que têm consumido cada vez menos até os alimentos da cesta básica. Inclusive no segmento dos trabalhadores, por causa do desemprego, cuja taxa média chegou a 17% nos oito anos do Plano Real, e a redução crescente do seu poder de compra.

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