Opinião
Uma grande romaria: objetivo do Ano Paulino
| DOM ANTONIO MUNIZ * Cristo espera de cada um de nós uma adesão total, um amor absoluto, indiviso e pleno: ?Tu me amas mais do que estes?? (Jo. 21,15). Ao mesmo tempo, somos impulsionados a um movimento de contínua submissão de nossa vida, de nossas vontades ao Cristo que nos amou e plenamente se doou por nós. São Paulo exorta o cristão a ?tornar cativo todo pensamento para levá-lo a obedecer a Cristo? (2cor. 10,5). Moldar a existência, através de um compromisso radical com a pessoa de Jesus Cristo e descobri-lo sempre como único caminho: ?Os olhos do crucificado fixam-se em ti, a interrogar-te e interpelar-te. Queres estreitar novamente com toda seriedade a tua aliança com Ele? Qual será tua resposta? ?Senhor, para quem irei?, somente tu tens palavra de vida eterna?.? (Edith Stein) Será que já chegamos ao ponto de afirmar com todas as forças de nossa alma, que não há saída para a vida, senão seguir a Jesus como modelo, como o amor de todo amor que plenifica todos os nossos desejos, como a presença mais presente em nós que se transforma em absoluto, diante do qual tudo o mais é relativo? Até que ponto nós assimilamos e proclamamos esta verdade fundamental pelo testemunho de nossa vida? Esta proposta assim tão radical, feita pelo apóstolo Paulo, foi repetida pelo Papa Bento XVI em sua recente viagem apostólica a Austrália, para a Jornada Mundial da Juventude. O ser humano encontra em Jesus seu Tudo e a plenitude de seus ideais, é este encontro real que fez Paulo dizer: Ppara mim viver é Cristo?. Acolher esta verdade significa deixar que Ele, de fato, transforme-se na pessoa mais importante em nossa vida. Tudo está a Ele submetido, e a força de nosso testemunho brota da eficácia de sua presença em nós. Só poderemos comunicá-lo se, de fato, experimentarmos sua vida em nossa vida. Proclamamos que ele é o absoluto, porque descobrimos, na gratuidade de nossa oferta, sua presença em nós como mestre interior. Jesus caminha conosco, partilha conosco sua vida de filho de Deus e nos educa para assimilarmos e construirmos cada dia nossa dignidade de filhos, realidade que experimentamos em total liberdade. Enquanto nos educa, faz o nosso coração arder, revelando-se companheiro em nossa busca, mesmo quando somos tentados voltar à nossa pequena aldeia, como fizeram os discípulos de Emaús. (Lc. 24,13-35). Fazemos ou não parte desta maravilhosa romaria? Como aprendemos neste ano Paulino! Dois mil anos de seu nascimento. (*) É religioso da Ordem Carmelita e arcebispo metropolitano de Maceió.