Opinião
Energia e riscos - Editorial
Depois dos sobressaltos causados aos ambientalistas pelos supostos riscos da onda dos biocombustíveis vir a provocar um maior desmatamento na Amazônia, um risco bem mais concreto àquela região começa a assombrar os defensores do meio ambiente. Segundo estudiosos das tendências globais em termos de fontes de energia, ?mais de 180 campos de petróleo e de gás se estendem pela Amazônia ocidental, que abrange cinco países sul-americanos, ameaçando a biodiversidade e territórios indígenas?. Segundo o publicado pela revista americana PLOS ONE, ?o caso do Peru é o que mais preocupa: 72% de seu território de selva coincide com planos de exploração de petróleo?. A publicação se baseia numa pesquisa de enorme título: ?Os projetos de petróleo e gás na Amazônia ocidental: uma ameaça à vida silvestre, à biodiversidade e aos povos indígenas?. Segundo essa pesquisa de título quilométrico, ?Estas atividades extrativistas cobrem uma área de mais de 688 km² da Amazônia da Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e parte do Brasil, onde operam cerca de 35 empresas multinacionais?. ONGs que se auto-apresentaram como sendo Save America?s Forests (Salve as Florestas Americanas) e Land is Life (Terra é Vida), e a Universidade Duke (Carolina do Norte/USA) garantem que o estudo é sério. O que é fato e o que é boato nessas ondas de tensões geradas em torno da crise dos combustíveis. Em relação a Amazônia, nada confirma a ameaça de devastação causada por plantações de cana-de-açúcar, mas em relação a poços de petróleo e gás ? aí, sim, onde quer que sejam localizados, serão inapelavelmente perfurados. E neste aspecto, é-se indispensável planos de defesa da natureza para sua convivência com a exploração petrolífera. Até por sua condição de fonte não-renovável, nenhuma reserva de combustível fóssil será poupada.