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Voltando � �ndia

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| LYSETTE LYRA * Estamos outra vez no aeroporto de Khatmandu e vamos tomar um avião para Varanasi, onde nos anunciam um passeio pelo Rio Ganges. Não nos entusiasmamos porque já o conhecemos da outra vez que visitamos a Índia. É realmente um lugar assombroso! Repleto de pessoas banhando-se de roupa, misturados com cinzas dos mortos que são cremados nos incineradores construídos nas margens. Todos buscam as graças concedidas para os que mergulham nessas águas sagradas. Perto se ergue um templo hinduísta. O rio, assoreado e poluído, está morrendo. No dia seguinte comparecemos à estação ferroviária para tomarmos o trem rumo à Khajuraho. E a que peripécias tivemos que nos submeter para apanhar o comboio! Foi preocupante, mas muito engraçado. A estação ficava longe de onde o nosso ônibus estacionou, e ainda teríamos que atravessar uma longa e elevada ponte, pois o nosso transporte pararia do lado oposto. As escadas eram longas e íngremes, para subir e para descer, inacessíveis as nossas condições físicas. Havia rampas, também, igualmente empinadas e extensas. A guia, atenciosamente, nos conseguiu uma cadeira de rodas da estação e três homens para nos empurrar. O veículo era já muito usado e os caminhos péssimos. Já foi bem difícil. Chegando aos declives eles amarraram uns panos nas pernas da cadeira e foram nos puxando até chegar à plataforma, só que nos conduziam quase deitadas, de pernas para cima. Tal posição nos causava, ao mesmo tempo, medo e hilaridade. A estação regurgitava de gente de todas as classes. Mulheres vestindo lindos saris, com piercings de prata e pedrarias colocados nas abas e na ponta do nariz, usando colares e pulseiras nos tornozelos, porém descalças, estavam acocoradas perto de nós. Tentei brincar com um garoto, filho de uma delas, mas a mãe não gostou e se afastou levando o rapazola. Foi muito divertido ver tantos tipos diferentes, com trajes tão diversos! O trem era bastante confortável e limpo. Viajamos durante cinco horas. Serviram-nos sanduíches e refrigerantes. Ao chegarmos, tivemos que passar pelos mesmos atropelos da vinda e rimos, outra vez, muito. Hospedamo-nos no luxuoso Hotel Jass Radisson, bem no Centro da cidade. Khajuraho é uma pequena cidade próxima ao lago Ninoratal que fica no coração da Índia central. É banhada pelos rios Narmada e Chambal que já foram caudalosos e hoje tornaram-se apenas suficientes para prover as residências de água potável. Suas terras são planas e férteis, assim, a agricultura se constitui uma de suas principais economias. (*) É escritora.

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