Opinião
Nossos prazeres culminam em Maria
| DOM FERNANDO IÓRIO * A cidade Sorriso de Maceió, mais do que nunca, se alegra, hoje, ao contemplar os prazeres de sua padroeira que desempenhou um papel capital em relação à primeira Parusia. É nela que culmina a espera do povo de Deus. Ela é aquela que, na véspera da vinda de Cristo, resumia e encarnava essa longa expectativa de mais de 20 séculos que a precederam. Durante essa expectativa, Deus iniciou uma longa obra progressiva de educação que culminou na alma gloriosa da Virgem Santa. Ela se tornou a flor maravilhosa que brotou de Israel, no termo dessa ação misteriosa do Espírito Santo na alma de Raquel, na alma de Rebeca, na alma de Sara, na alma de Rute, nas almas de todas as mulheres do Antigo Testamento, no dizer de Jean Danielou. Deus educou Israel, procurando dar-lhe o ?senso? do verdadeiro Senhor que, primitivamente, era grosseiro no meio do povo. Maria já possuía o senso admirável de Deus e de sua unidade, sendo a virgem fiel, capaz de realizar o Epitalâmio das núpcias do Verbo e de seu povo. Num segundo momento, o mistério da educação do povo é um mistério da comunicação da graça ? da vida divina ? à humanidade. Em um momento seguinte, Deus educa Israel no sentido de aceitar o plano divino na história. Aceitando o plano de Deus, tornou-se Maria a ?Mãe da Divina Graça?, medianeira universal, mãe do gênero humano. Não são poucos os teólogos que asseveram que, apesar de muitos homens e mulheres não terem condições de rezar o pai-nosso, poderem, no entanto, por uma atração divina do prazer da alma de Maria, recitar a ave-maria. Na verdade, onde não há ainda a presença de Jesus e da graça, já existe uma presença de Maria, para alegria de quantos não receberam ainda a Graça Santificante. Verdadeiramente, existe uma misteriosa preparação marial entre aquelas que não conhecem, ainda, Jesus Cristo. Assim podemos suplicar a Virgem que distribua seus prazeres entre tantos que não conhecem o mistério de seu Filho ? Jesus. Ela, Senhora dos Prazeres, é o canal de uma graça misteriosa que prepara a vinda de Jesus. A Teologia distingue, ao lado da Graça Santificante, o que ela chama de ?graça preveniente?: é que , antes do estado de graça, não somos estranhos a toda graça. Há graças para aqueles que não estão ainda na graça, precisamente os que se preparam para ela, porque se não houvesse graças que nos preparassem para a graça, jamais chegaríamos a possui-la. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e membro da Academia Alagoana de Letras.