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Algemas frouxas

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| JOSÉ FIRMINO DE OLIVEIRA * Até bem pouco tempo, a rígida atuação da Polícia Federal Brasil afora, investigando, prendendo e algemando políticos corruptos de variados partidos, autoridades ladronas de todas as instâncias e patentes, pequenos, médios e grandes traficantes de drogas, era aplaudida pela população brasileira em geral ao ponto de motivar o presidente Lula a cobrar para o seu governo, a paternidade dessa ação patriótica da Polícia Federal, em defesa do patrimônio público e da moralização nacional. A esta altura dos acontecimentos políticos e administrativos desmoralizadores registrados no dia-a-dia da vida do povo brasileiro, a Polícia Federal, embalada pela ovação popular e pelos elogios do presidente da República, após ter algemado figurões como Jader Barbalho, Nicolau Santos Neto, pai e filho Maluf, dentre outras figurinhas carimbadas do álbum da pilantragem nacional do colarinho branco, deu prosseguimento ao seu trabalho investigativo até flagrar, através de escuta telefônica, o banqueiro Daniel Dantas numa ação despudorada de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência. Foi a partir dessa bem-sucedida ação que os agentes federais começaram a ser criticados, por uma pequena parte da imprensa nacional, por políticos e por ministros do Supremo Tribunal Federal, pela sua atuação padronizada de pedidos de prisão para esses ladrões do dinheiro público e o uso de algemas, esse importante instrumento de trabalho policial e símbolo universal da ação impessoal do Estado contra o crime e os criminosos. Hoje, a Polícia Federal, como de resto todas as polícias do Brasil, está proibida de usar algemas nos presos sob sua responsabilidade de condução, graças a uma súmula vinculante editada pelo STF, sob a liderança do seu presidente Gilmar Mendes, destacando-se que essa tal súmula foi aprovada em nome das garantias constitucionais individuais e da dignidade humana, como se a Constituição Federal fosse salvo conduto para que ladrões e bandidos tivessem dignidade. Espera-se, agora, que o Congresso Nacional ao analisar o projeto de lei que trata dessa matéria que está em tramitação nas suas duas casas, cumpra com o seu dever e corrija o equívoco cometido pelo STF, apertando as algemas que o Supremo afrouxou. Pois, não será afrouxando as algemas dos políticos corruptos e das autoridades bandidas que iremos recuperá-los para uma vida em sociedade sem roubo, bem como patrocinar a tão desejada moralização deste País verde e amarelo. (*) É jornalista.

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