Opinião
Her�is mesmo assim
| JOSÉ MEDEIROS * Alguém faz idéia do que se passa na cabeça de um atleta em época de Olimpíadas? Garra, insegurança, coragem, medo, alegria, tristeza. Uma ínfima fração de segundos é capaz de definir palavras tão antagônicas: vitória ou derrota. Eu imagino que, além disso, ser favorito em qualquer modalidade de esporte a ser disputada, deve ser um peso a mais para os que pretendem alcançar um lugar no pódio. Muitos voltarão para casa com a tristeza da derrota, mas com a experiência adquirida dos que perdem, merecendo ser incentivados a vencer o desânimo e a decepção, e tentar novamente, em outra oportunidade. No esporte, como na vida, um ensinamento é fundamental: o problema não é cair ? isso é humano ? é levantar cada vez que se cai. Na delegação brasileira, exemplos diversos como o do judoca João Derly, que na condição de bicampeão mundial, teve cada uma de suas estratégias minuciosamente estudada pelos adversários. Não deu outra: voltou para casa, na segunda rodada. Como ele mesmo disse: ?Saí com a consciência de quem fez o seu melhor?. Para nós, é sem dúvida, um ?vencedor?. O que dizer das garotas do futebol feminino? Uma derrota, a um passo da medalha de ouro, tem o significado de vitória, exemplo de superação, de força mental, de quem luta com afinco até o último minuto. Li, recentemente, um artigo do psicanalista e escritor Rubem Alves, por quem tenho grande admiração, em que ele cita a opinião de um professor de Educação Física da Unicamp, que defende uma tese curiosíssima sobre o atletismo: ?O atletismo faz mal à saúde?. Para provar seu ponto de vista, pergunta: ?Alguém conhece um atleta de vida longa? Quem vive muito são as velhinhas sedentárias que tomam chá com bolo, no fim da tarde?. Cada um tem direito a defender o que pensa, mesmo quando isso contraria a realidade e a lógica. Sabe-se que todo exagero é nocivo e prejudicial; mas incentivar a juventude à prática de esporte, ao desenvolvimento físico e psíquico, é o objetivo formal a ser perseguido. Não é, sem justas razões, que desde um passado remoto, defende-se a expressão latina: ?mens sana in corpore sano?. Há muito mais a se fazer no Brasil, para que sejamos uma potência olímpica. Merece ser valorizado e aplaudido o esforço, o sacrifício de muitos, assim como, as vitórias alcançadas nessa festa esportiva internacional. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.