Opinião
Planejamento de transportes
| CANDIDO DE ALBUQUERQUE * O mundo moderno, na frenética luta do dia-a-dia, tem na economia do tempo uma das principais metas no setor transporte. Os aviões, cada vez maiores, mais velozes e seguros, e os trens, de velocidades espantosas na Europa e na Ásia, são bons exemplos desta modernidade. No Brasil, nas vias urbanas das grandes cidades, os congestionamentos e a redução da velocidade obrigam os dirigentes a construírem seus metrôs. Em São Paulo, a velocidade média dos ônibus ? que em muitas ruas têm faixa própria ? caiu em 10 anos de 24 para 13 km/h; um pedestre anda 6 km/h. Dos automóveis, em determinadas horas, ele ganha fácil. Entretanto, São Paulo, com apenas 60 km de metrô e o Rio em torno de 30 km, nos faz antever o quanto a solução será demorada, pois perdemos na saída e também na execução. O metrô de Buenos Aires foi inaugurado em 1913, o de São Paulo só em 1974. O da Cidade do México é desta mesma época e hoje tem 250 km. A necessidade de investir-se em transporte de massa para que sua qualidade desmotive o uso do carro particular, há muito que é urgente, não só pela melhoria do fluxo, mas, para que o trabalhador não perca tantas horas por dia em deslocamento e, fique sem descanso. Outros Estados, mesmo com situações rodoviárias totalmente distintas, já estão investindo nessa via, que transporta até 1.200 passageiros por viagem. Salvador, com topografia acidentada e subsolo rochoso e Brasília, plana e com ótimo sistema viário, também estão tentando fazer os seus. Antes tarde que nunca, mas, reconheçamos nossa incompetência. O transporte ferroviário é muito inferior em cobertura ao que tínhamos há cem anos. Quem ler o excelente livro de Jorge Caldeira ? ?Mauá o Empresário do Império?, se impressionará com o homem de visão que tinha bancos (filiais na Argentina e Uruguai), estaleiros, metalúrgicas, frota de navios, e várias estradas de ferro. Suas empresas tinham valor maior que o PIB do Brasil. O seu tino comercial fez inaugurar a primeira ferrovia no Brasil em 1854 e depois a ligação da região cafeeira de São Paulo ao porto de Santos. Hoje vemos pela TV quilômetros de fila de carretas nos portos, num desperdício de tempo, dinheiro e paciência. (*) É engenheiro civil e diretor da Arsal.