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Exemplo de supera��o

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| RONALD MENDONÇA * Durante cerca de quatro décadas, alagoanos de todas as classes sociais e de diferentes credos ideológicos acostumaram-se a dar uma passada de olho no Caderno B da Gazeta de Alagoas para checar as ?novidades? na mais prestigiosa página social do Estado: a coluna da Cândida Palmeira. Gênero que se consagrou no País desde os anos quarenta, quando o jornalista carioca Maneco Muller adotou o pseudônimo de Jacinto de Thormes, o estilo ganharia adeptos Brasil afora. De fato, tido como o pai da matéria, Thormes, pela sua formação humanística e desembaraço social daria status à atividade. Sem se resumir a publicar fofocas e frivolidades ? partículas inevitáveis do gênero ?, acreditava piamente no papel informativo e opinativo do espaço. Dessa forma, o célebre jornalista criou escola que perdura até hoje, e que teve como aluno aplicado o não menos consagrado Ibrahim Sued, não obstante as montanhas de livros que os separavam. Com efeito, pelo estilo agressivo e, por que não dizer, pela tremenda cara-de-pau, Sued tornou-se o colunista social mais lido do país. Claro que os ventos sopraram a seu favor, coincidindo com a explosão da Rede Globo, carona que o rouquenho e inculto Sued aproveitou como ninguém. Hoje, famosas colunas políticas veiculadas em rede nacional, na verdade têm um útero comum. Aquela formatação de notícias curtas, muitas vezes oriundas de fontes pouco ortodoxas, em ?off?, quase furos, salpicadas de dardos venenosos, sem dúvidas conservam o DNA dos textos de Thormes e Sued. Certamente, quando algum pesquisador debruçar-se sobre a história do colunismo social de Alagoas irá deparar-se com a figura elegante e distinta de Josué Júnior, do Ícaro, o particular amigo Marcus Vinicius, que fez da boemia um estilo de vida, e das irmãs Palmeira: Cândida, Lílian Rose e Ana Lúcia. Maria Cândida, a militante mais longeva, foi uma legítima herdeira desse patrimônio cultural. Sem medo de errar é a mãe biológica e fonte de inspiração dessa safra de profissionais que se dedica a divulgar certos movimentos da sociedade. Pessoalmente, admiro essa turma. Noticiando eventos da vida mundana dos ?colunáveis? da comunidade, não é tarefa fácil segurar o interesse de leitores cada vez mais exigentes, durante anos a fio. Nesse rol, a figura de Maria Cândida destacou-se não só pela competência com que exerceu seu mister, mas, sobretudo, pela capacidade em superar-se e transformar dores pessoais em realizações. (*) É médico e professor da Ufal.

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