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Opinião

Candinha, aquele abra�o!

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| BRÁULIO PUGLIESI * Toda a minha alegria guardada para a sua festa, quinta-feira, também se foi, com a sua partida. Sei que vou ficar um bom tempo mexido, machucado, mudo... Mesmo sabendo que o nosso elo espiritual esse, sim, vai durar por toda a eternidade. Perdi uma amiga de verdade. Não estava lá, na última solenidade do adeus... E sei que você sabe ? por quê? ?, mas seus amigos de toda uma vida estavam. A minha família, também. O imenso vazio que a sua ausência impõe já estou sentindo, muito embora nossos encontros, ultimamente, estivessem cada vez mais esporádicos ? fico lhe devendo essa! Mas jamais vou esquecer que os meus melhores dias de ?urbanóide?, ou seja, solto nas baladas foi com você no início dos anos 80. Aqui, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, nos réveillons do Hotel Quatro Rodas de Olinda, Salvador, nas prévias carnavalescas do Recife, nos bailes do Municipal, Máscaras, Dourado e, com aquela ressaca do dia seguinte, pegava um avião para o de Prata, em Salvador. Sempre dividindo o mesmo espaço: você, Janisse e eu ? alcalinos puros! Você me ensinou que o mundo era bem melhor do que eu imaginava, e isso me deu muitas alegrias. Hoje, acho tudo mais complicado, as festas sem graça, sem aquela tranqüilidade e a mesma alegria de antes... Foi você que descobriu que eu tinha afinidade com colunismo social e me deu a primeira chance, aqui, na Gazeta de Alagoas, quando eu trabalhava de recepcionista do Luxor Hotel. Foi você que me acolheu na sua casa, quando eu resolvi ir morar sozinho... Muitas águas têm passado por baixo da minha ponte nessas últimas horas, pós sua partida. Poderia passar horas escrevendo. Até um livro! Mas minha cabeça deu um nó para escrever sequer uma sinopse! Sua vida foi densa, intensa... Mas escrever esse texto para você já me deu um alívio enorme, além de um verdadeiro resgate de prazeres... O privilégio de ter convivido com você por mais de 30 anos, vou guardá-lo na lembrança, pelo resto da minha vida. Acima de tudo, a doce lembrança de uma mulher de verdade... E perante uma mulher de verdade como foi você, Candinha, no fundo, no fundo, todos se curvam. E reverenciam. (*) É colunista social.

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