Opinião
Jesus Cristo: o educador de nossa f�
| DOM ANTONIO MUNIZ * Ele é nosso pedagogo, mestre, educador que nos proporciona a capacidade de orientar todas as esferas de nossa vida. Ele é o caminho e nos revela o jeito mais perfeito para aprofundarmos nossa relação com o Pai; Ele, pela sua capacidade de interagir com as pessoas e de fazer comunidade, transmite-nos o modo mais eficaz para a construção de uma autêntica fraternidade; Ele, a verdade revelada, permite-nos conhecer as entranhas do seu coração misericordioso. Seu modo de proclamar e testemunhar o advento do Reino de Deus impele-nos em nossa missão de comunicadores e testemunhas da verdade; Ele, vida plena, é o referencial permanente em nosso compromisso de promover a vida e lutar para que o povo de Deus ao qual nós somos enviados, tenha vida em abundância. A pedagogia de nossa configuração a Cristo, Sumo Sacerdote e Pastor dos pastores, é um itinerário percorrido na estrada da cruz. Ele optou pela cruz como caminho para a realização do projeto salvador do Pai. ?O Filho do homem está destinado a sofrer dolorosamente, ser rejeitado pelos anciãos e sumos sacerdotes e ser condenado à morte? (Lc. 9,22). Com a oferta de sua vida, ele realiza em nosso favor a obra redentora. ?Embora fosse Filho, aprendeu, contudo, a obediência pelo sofrimento; e, levado à perfeição, se tornou para todos os que lhe obedecem princípio de salvação eterna, tendo recebido de Deus o título de sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedec? (Heb.5, 8-9). O discípulo de Jesus é confrontado de forma radical com a palavra do mestre que aponta para a cruz, uma palavra radical, que num momento decisivo da vida e da missão de Jesus delineia o sofrimento e a cruz como lugar da consumação da missão salvadora do Filho de Deus. Foi uma palavra dura e difícil de aceitar. O apóstolo Pedro chega a querer colocar o seu pensamento mesquinho no lugar do pensamento de Deus, e protesta radicalmente contra a palavra de Jesus. No entanto, Jesus, com um tom severo e radical reafirma sua decisão de subir para Jerusalém, ao encontro da cruz. O apóstolo Paulo, fascinado por esta realidade da cruz redentora de Cristo e de seu mistério, proclama: ?Daqui para frente, que ninguém me acrescente fadigas, pois trago em meu corpo as marcas de Jesus? (Gl. 6,17). (*) É religioso da Ordem Carmelita e arcebispo Metropolitano de Maceió.