Opinião
Falta de amor
| ANILDA LEÃO * Não temos nenhuma dúvida em constatar que a falta de amor é uma verdade cada vez mais presente no mundo em que vivemos. Nesse mundo egoísta, nesse mundo áspero e cada vez mais complicado, sentimos mesmo que, quanto maior o lugar e quanto mais progresso existir, as pessoas se afastam cada vez mais umas das outras, criando distâncias e barreiras e voltando-se apenas para os seus próprios interesses. Daí sentirmos, mais que nunca, na humanidade de hoje, aquela necessidade de amor, aquela carência de compreensão. Sem amor não há motivação, e é justamente disso que o mundo está mais faminto. E observar que a maioria só se ocupa do próprio umbigo faz com que muitos de nós percamos até a vontade de lutar contra esse estado de coisas. É impressionante verificar, nós que fizemos parte durante tanto tempo de entidades assistenciais, o quanto falta de sensibilidade social na maioria daqueles mais bem situados economicamente, sendo mais fácil, muitas vezes, recebermos a colaboração de quem foi menos aquinhoado pelo destino. Sim, existem os benfeitores mais bem situados na sociedade, que nunca negaram a sua ajuda e vão até as entidades, espontaneamente, oferecendo seus préstimos. Se não existissem tais criaturas, nem saberíamos dizer o que seria dos nossos irmãos mais carentes e desvalidos. Porém, o percentual dos que não saem do seu comodismo e não abrem mão dos seus cofres abarrotados, é muito, muito maior, infelizmente. Há uma cegueira tomando conta das pessoas. Ninguém vê mais o sofrimento alheio. Não se enxerga as crianças e os velhinhos, ou deficientes mentais e físicos a necessitarem da nossa solidariedade, da ajuda dos que estão sadios. Ou dos que têm os filhos em perfeita saúde. Daqueles que já têm a sua velhice garantida. Como despertar essa gente para uma situação cada vez mais clamorosa, quando só se pensa nos bens materiais ou em abarrotar a casa ? e o corpo ? com supérfluos que nos são empurrados a toda hora pela mídia capitalista? É como se dissessem: que se dane o resto. Só resta a esperança de que Deus ? esse Ser tão invocado, inclusive, pelos empedernidos ? sensibilize os corações endurecidos com o seu amor e o seu exemplo, pois coisa alguma é mais capaz de infundir confiança no ser humano do que a certeza de que é amado e protegido por alguém. (*) É escritora.