Opinião
J� come�ou a baixaria!
| LYSETTE LYRA * A democracia é a doutrina da soberania popular e da divisão eqüitativa dos poderes, é, em sua essência, a mais verdadeira e justa forma de governo. Em contrapartida é a que mais chances de fraudes possibilita nos diversos setores da administração pública. Exige a seriedade, a ética, a responsabilidade, o respeito, a dignidade, intrínsecas no uso dos direitos para que a liberdade por ela defendida seja um impulso para o desenvolvimento do país e não para sua derrocada. Infelizmente, nos últimos tempos, nossos políticos parecem ter perdido a consciência dos deveres que lhes competem nos cargos para que foram eleitos. Surpreendem-nos, de vez em quando, com procedimentos ditados pelo abuso de autoridade e pela ganância do enriquecimento ilícito. Não só os políticos, mas a Justiça, às vezes, toma atitudes absurdas no julgamento de indefensáveis criminosos que nos deixam descrentes das instituições de direito. A Polícia Federal, que acordou duma velha inércia para uma elogiável atividade, caçando criminosos em todos os setores da cidadania, muitas vezes vê seus esforços anulados pelo incoerente julgamento da Justiça ou pelas CPIs parlamentares delituosas. Aproximam-se as eleições, a quantidade de candidatos é surpreendente! Dos mais letrados aos quase analfabetos disputam um lugar nesses empregos influentes e tão ?lucrativos?. Então começa a ?luta livre? por um cargo na legislatura ou no executivo: mata-se; agride-se verbalmente; compram-se votos com dinheiro, muitas vezes, ilícito; ou com promessas de favores. Existe, claro, os que são honestos e têm boas intenções para a legislatura. Fico surpresa vendo pessoas que até gozam de um conceito ilibado na sociedade, se submeterem a vis baixarias ditadas pelos seus patrocinadores políticos, que já conhecemos, para derrubarem aquele candidato com mais probabilidades de ser sufragado nas urnas. Usam os horários gratuitos na televisão pagos pelos nossos sofridos impostos não para divulgar seus programas de governo ou falar de seus currículos. Usam-nos para ludibriar o povo, para difamar, para denegrir a imagem do adversário. Isso é o que sempre acontece nas eleições, e, a meu ver, é um ato que deveria ser coibido pela Justiça Eleitoral. Seguros da ingenuidade de um povo, na sua maioria despreparado para discernir entre os bons e os maus candidatos, fazem uso dessa ignorância em proveito próprio, num desrespeito completo ao cidadão brasileiro. Raros são os que se eximem de tais atitudes. (*) É escritora.