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Opinião

Um pouco da hist�ria da Medicina

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| JOSÉ MEDEIROS * A família, a que quero me referir, conserva o bom hábito de reunir no jantar todos os seus membros. Nessa ocasião, desliga-se o televisor, então a conversa corre franca sobre fatos e acontecimentos do cotidiano. Numa dessas noites, a mais velha das filhas, 12 anos ou um pouco mais, relata que a professora falou de grandes epidemias que assolaram a humanidade desde tempos anteriores a vinda de Cristo. Morria mais gente vitimada por essas doenças que soldados nos campos das guerras mais sangrentas. ? Morreu tanta gente assim, pai? O pai explicou que sim. Prometeu à adolescente adquirir um livro que relate esses flagelos que atingiram a humanidade. Uma semana depois, a garota voltou ao assunto; estava assombrada com o que lera. Peste, cólera, varíola, malária, febre amarela, mataram milhões de pessoas ao longo do tempo. Pai, eu posso ler para você um trecho do livro que me ofereceu? O pai concordou. Ela leu em voz alta: ?Em 1334, a peste grassou na Ásia, causou cinco milhões de mortes na Mongólia e no Norte da China. As estradas ficavam cheias de cadáveres dos que fugiam das cidades. Calcula-se em 24 milhões o número de mortos nos países do Oriente; e que a Europa tenha perdido metade da população?. Médicos morriam tentando assistir os pacientes, cumprindo o dever solidário da profissão. A gripe espanhola, no século 20, fez uma vítima ilustre, o presidente da República Rodrigues Alves, que não pôde tomar posse no segundo mandato, morrendo no dia 16 de janeiro de 1919, vítima dessa terrível virose. A contribuição brasileira à ciência e à Medicina tem alguns pontos altos. A esquistossomose mansônica, doença que ainda é problema em Alagoas, teve o agente etiológico descoberto em 1908 pelo médico e cientista baiano Pirajá da Silva. Recentemente, a Bahia lembrou o centenário do descobrimento do ?shistossoma? e premiou os que tiveram contribuição relevante no combate a essa endemia. Em Alagoas, foi homenageado com a medalha comemorativa ?Pirajá da Silva?, o dr. José Geraldo Vergetti de Siqueira, que foi professor de parasitologia da Ufal e diretor da Sucam, entidade que combatia essa doença, onde realizou destacado trabalho. Ele é membro da Academia Alagoana de Medicina e da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores. O pai explicou a garota, com quem discutiu esses assuntos, que ainda há muito a ser feito no combate a algumas dessas ?velhas doenças?. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.

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