Opinião
Exclus�o racial - Editorial
Estudo elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Organização Internacional do Trabalho e Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, divulgado na última segunda-feira, mostra que apesar da ?melhora expressiva em indicadores importantes do mercado de trabalho nos últimos anos?, o Brasil não conseguiu diminuir, em níveis satisfatórios, a exclusão social e econômica. Uma pesquisa do IBGE já constava, que, em 2006, enquanto o rendimento médio real das mulheres não-negras era de R$ 524,6, o das negras não chegava a R$ 370,00, os homens negros receberam um rendimento médio de R$ 451,1, contra a remuneração de R$ 724,4 dos não-negros. De acordo com o mesmo estudo, ainda é alta a desigualdade entre as taxas de participação das mulheres e dos homens, o que reflete as dificuldades que elas enfrentam, em especial as mais pobres e menos escolarizadas, para ingressar e permanecer no mercado de trabalho. E são as mulheres pobres que encontram maiores dificuldades para ingressar no mercado de trabalho, como conseqüência, entre outros fatores, dos obstáculos que enfrentam para compartilhar as responsabilidades domésticas, em particular o cuidado com os filhos. Só estes dados bastam para termos a compreensão do tamanho do desafio que não pode permanecer sendo lembrado apenas nos discursos em anos eleitorais. Até porque as verdadeiras preocupações com problemas como a discriminação racial não são recentes, devem ser permanentes e resultar, cada vez mais, em soluções adequadas às necessárias maiores dos segmentos da população tradicionalmente menos assistidos. Eleições municipais são ideais para a cobrança do cumprimento das antigas e novas promessas. O voto na urna deve servir realmente para termos um País livre de mazelas sociais.