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Opinião

As li��es que ficam

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| VINICIUS MAIA NOBRE * Quem leu a reportagem de domingo 7 de setembro desta Gazeta sob o título ?Educação transformada em lixo?, ficou estarrecido ao tempo em que a tristeza se apossou, com certeza, daqueles que estudaram no Liceu Alagoano. Uma lição que fica para todos nós é aquela em que aprendemos quão importante é o papel desempenhado pela imprensa. Não fosse a perspicácia do repórter, poucos saberiam que naquele canto isolado da Cônego Machado, escondido no tempo e pelas autoridades responsáveis, o velho Liceu padecia e padece, carecendo de cuidados dos que, sentados em confortáveis gabinetes ou indo e vindo em suas incontáveis viagens, deixam a educação dos nossos jovens em uma posição ridícula. Com desculpas esfarrapadas fica também à mercê das intempéries que castigam o seu patrimônio histórico e cultural. Estudei no Liceu quando já se chamava Colégio Estadual de Alagoas. Na época, meados da década de 40, seu corpo docente tinha professores da estirpe de Mário Broad, Cônego Adelmo Machado, Deraldo Campos, Guedes de Miranda, Jayme d?Altavila, Monsenhor Valente, José Camerino, Paulo Albuquerque, Cônego Tobias, Vital Barbosa, Aloísio Teles, João Fireman e de tantos outros que com lucidez e sapiência guardavam a memória de muitos que lá ensinaram a exemplo dos citados mestres Aurélio Buarque de Holanda e Jorge de Lima. Assisti a memoráveis concursos como os de Matemática e Latim, onde os candidatos eram submetidos a uma rigorosa sabatina de provas e títulos inclusive a tão ansiada defesa de tese. Agora sinto como os educadores podiam fazer jus a um dos mais altos salários do serviço público estadual, diferentemente dos salários que os atuais professores percebem. O velho casarão da Rua do Livramento, de linhas sóbrias, foi totalmente descaracterizado no início da década de 60 e batizado ?Edifício Muniz Falcão? para servir à justiça alagoana. Seu auditório transformado em sala de júri e suas salas de aula em cartórios e gabinetes de juízes. O Liceu poderia ter maiores instalações em outro local, mas as antigas deveriam ter permanecido servindo à juventude de nossa terra com similar objetivo. É lamentável que o nosso Liceu aguarde verbas para ser aquele educandário que tantas glórias e honras nos legou. Espera a sociedade que o Estado seja diligente e rápido na solução ao tratamento adequado do acervo de sua memória e instalações para que volte a brilhar como em seu passado. (*) É engenheiro e membro do Conselho Estratégico da OAM.

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