Opinião
Gustav, Hanna, Ike, Josephine...
| JORGE BRISENO * Nos últimos dias, dulcíssimo leitor, encontro-me um tanto ressabiado com a crescente desordem ambiental global. A temporada de furacões em série, uns seguidos dos outros, se alastra deixando em seu rastro dor, morte e desolação. O Gustav colocou em retirada quase dois milhões de pessoas em toda a região do golfo do México. O Gustav apenas amainou após levar consigo 75 pessoas. Já o Hanna ? talvez por ser mais temperamental ?, em sua passagem pelo Caribe, matou mais de 500 haitianos e 61 porto-riquenhos, arrastados pelas águas encrespadas pela ventania e tempestade do furacão. Logo em seguida, as autoridades já alertavam sobre a vinda do Ike que já se encontrava em gestação nas calientes águas do Golfo do México. Parece uma linha de produção em série! O ecológico leitor, atento às questões ambientais, está a se indagar: ?Será que esses eventos, esses cataclismos têm alguma relação com o aquecimento global?? Faço coro e acrescento: ?Será que somos responsáveis por isso?? Infelizmente, angustiado leitor, segundo os cientistas do IPCC, nós ? você, eu, a torcida do Flamengo e o resto da humanidade ? somos os responsáveis por isso. O único conforto, o derradeiro alento, o que nos serve de consolo é que ainda podemos intuir que desconhecemos em que grau somos responsáveis. Agora que temos culpa no cartório... Ah, isso temos! Já está sobejamente comprovada, sabida e consabida, a relação biunívoca ? o leitor deve lembrar da época em que estudava conjuntos na velha e boa matemática ?, entre o aquecimento global e o aumento da freqüência com que essas tempestades, esses furacões têm brotado no mundo. O aquecimento planetário, além de provocar todos esses danos da passagem dos furacões, tem modificado nossas vidas de uma forma, digamos assim, prosaica, isso mesmo, prosaica. Ou o que pensar, ilustre leitor, do fato de o aquecimento global gerar uma crise na oferta de garotas de programa em Sófia, na Bulgária. Calma, já explico. Ameaçados de falência pela escassez de neve, os hotéis das estações de esqui búlgaras foram obrigados a substituírem os habituais esportes de inverno por garotas de programa importadas da capital, para preencherem o tempo dos hóspedes mais insaciáveis. Menos mal. Se os danos do aquecimento global se resumissem a esses eventos triviais, bizarros, não teríamos motivos para tantas angústias. (*) É engenheiro e diretor da Casal.