Opinião
Sete facadas em pequim
| ADELMO CABRAL * Não me surpreendeu a notícia de que O Beco das Sete Facadas e Outras Estórias Alucinadas, livro de contos de Carlos Méro, teria sido escolhido por Ary Kuflik Benclowicz, diretor-editor da Editora Nobel, selo pelo qual foi a obra impressa em São Paulo, para ser exposto na 14ª Feira Internacional do Livro em Pequim, iniciada no dia 1º de setembro. Nem com o fato de que a assessora de imprensa da Nobel, Letícia Baroni, ao fazer, ao autor, a comunicação da escolha, tenha afirmado que a obra conta hoje com ?chances de uma eventual publicação internacional?. Digo isso porque reunido em São Paulo com o editor Ary Benclowicz, quando o livro ainda se encontrava no prelo, ouvi dele entusiásticas referências à obra, não só em razão dos enredos bem construídos, mas antes e principalmente em face do singular estilo do autor. Chegou mesmo a me afirmar que, cabendo a ele o exame preliminar dos originais, pois que a ele a responsabilidade de autorizar ou não a publicação, chegou a mantê-los demoradamente em seu criado-mudo, de modo a poder desfrutar da leitura por seguidas noites. E acrescentou, até mesmo, que, durante os seus quarenta anos de atividades como diretor-editor, raras vezes teve em mãos um livro de contos tão apreciável, pelo que desejava conhecer outros textos de Carlos Méro. Não me reconhecendo como especialista em literatura, mesmo porque muito mais afeito à leitura de textos jurídicos, dados os meus deveres profissionais, não me aventuraria a formular qualquer opinião crítico-literária acerca de O Beco das Sete Facadas, embora muito lhe aprecie a leitura. O mesmo, porém, não se pode dizer de Ary Benclouwicz, com sua história de labor diário a serviço da arte de escrever e em particular da criação literária, por força, inclusive, da sua responsabilidade como editor-geral da Nobel, empresa cujo elevado conceito dispensa adjetivações.