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Opinião

Agra e o Taj Mahal

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| LYSETTE LYRA * A estrada, que está sendo construída e atravessa a Índia de norte a sul, é larga e possui duas mãos. Separando-as, existe canteiro plantado com espirradeiras e buganvílias floridas. De vez em quando, entretanto, encontrávamos um louco que vinha na contramão e vacas que a atravessavam tranqüilas e o motorista, aliás, muito competente, tinha que frear para deixá-los passar. Cortamos regiões inteiramente cultivadas, somente interrompidas pelo aparecimento de um povoado, onde, às vezes, se destacavam as chaminés das fábricas. Nesses lugares, existe sempre uma feirinha à beira da rodovia repleta de gente. O trecho da estrada que nos leva a Agra é ladeado de árvores frondosas que a tornam acolhedora e aprazível. Vemos, de vez em quando, amistosos macacos, que nunca são perseguidos por serem considerados sagrados por algumas seitas. Era noite quando chegamos a Agra. No caminho para o hotel, encontramos oito suntuosos cortejos de casamentos de pessoas das mais altas castas sociais. Eles se encaminhavam para os salões de eventos, alguns instalados nos hotéis de luxo. As festas duram cinco dias. A época das bodas é determinada pelos astrólogos após estudar a posição dos astros. Dos préstitos participam: o noivo, que vem montado num cavalo branco (tem que ser branco, quando não o é naturalmente, eles o pintam) à frente de uma proteção alta, em semicírculo, decorada com espelhos e desenhos dourados e coloridos. Duas alas de servos, conduzindo uma espécie de sombrinhas iluminadas, seguem de cada lado. No meio vão, o camelo e o elefante pertencentes ao noivo, todos dois ricamente ajaezados, e os convidados trajando finas roupagens. Na frente da comitiva, uma orquestra, tocando músicas indianas, abre o cortejo. Pelo ornato na cabeça do nubente sabe-se a que hierarquia pertence. A noiva esperava-o na festa. Os casamentos só se realizam na mesma casta. Se o fizerem em categorias diferentes baixarão de classe. Antes da cerimônia são feitos acertos entre as famílias dos noivos, inclusive do dote que será pago pelo consorte. Às vezes, os casamentos são acertados quando do nascimento dos contraentes, que podem até ficar viúvos sem nunca terem se visto. Antigamente as mulheres eram obrigadas a morrer queimadas na pira junto com o marido morto. Hoje esse costume foi extinto. Chegamos ao Jaypee Palace Hotel, onde nos hospedamos e fomos, como sempre, recebidos com colares de flores e, na testa, nos colocaram um ponto de tinta vermelha (a ?tika?). É a maneira indiana de desejar boas vindas. (*) É escritora.

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