loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Lembrando Neruda

Ouvir
Compartilhar

| JOSÉ MEDEIROS * Setembro, mês do falecimento de Pablo Neruda, faz-me lembrar esse inesquecível poeta chileno. Ele costumava dizer: ?Escrever é fácil: você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final; no meio, coloca as idéias?. Indubitavelmente, para ele er fácil, pois sabia como poucos, tocar profundamente os corações com emocionantes poesias. Para Neruda, o poema era uma comunicação emotiva que devia penetrar a vida das pessoas, se possível, tornando-as mais felizes. Sem dúvida, seus versos conseguem isso, mesmo no mais apático dos leitores. Sua literatura e arte transformaram-se em transfigurações do real, do lúdico, realidades recriadas e embelezadas com a chave de ouro da chama de sua genialidade. ?O poeta buscou no lirismo a lucidez para tentar construir um mundo livre de injustiças?. Para falar de sua poesia, há que se tentar caminhar nas asas da imaginação, criação artística, fantasia e idealização do sentimento. Vale repetir a opinião do poeta Castro Alves: ?Para chorar as pequenas dores, Deus criou a afeição, o afeto e o amor; mas, para chorar a humanidade, Deus criou a poesia?. Num desses dias, relendo alguns de seus trabalhos literários, detive-me no poema ?Morre lentamente?, impressionando-me com a sensibilidade e argúcia do poeta. Nesse poema, Neruda fala de pessoas que vêm ao mundo sem se dar conta do milagre extraordinário que é viver, passando pela vida sem percebê-la. Mesmo numa análise superficial observa-se o caráter universal de suas idéias e a profunda compreensão da natureza humana. Alguns versos desse poema: ?Morre lentamente, quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto.../ Morre lentamente, quem prefere preto no branco e pingos sobre os is, em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos./ Morre lentamente, quem não vira a mesa quando está infeliz com o trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto./ Morre lentamente, quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo, quem destrói seu amor próprio, quem não se deixa ajudar. /?. Enfim, como ele próprio diz: ?Evitemos a morte em doses suaves; estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar. Somente com determinação conquistaremos a fase esplêndida da felicidade?. A poesia desperta o sentimento da beleza; não é somente poeta aquele que produz versos, mas todo aquele que percebe a poesia sutil das coisas. (*)É médico e ex-Secretário de Educação e de Saúde.

Relacionadas