Opinião
Diagn�stico de uma vida
| MARCIO DE VASCONCELLOS * Arnon de Mello, quando governador, trouxe para Alagoas a proposta de vias asfaltadas, tendo realizado a construção da rodovia Maceió-Palmeira dos Índios e iniciou o trecho Maceió-Jacarecica. Alagoas somente conheceu asfalto por ocasião da 2ª guerra, quando tivemos a construção do aeroporto dos Palmares e sua ligação à capital. Foi o legado dos aliados, que a exemplo de Parnamirim no Rio grande do Norte, Imbura em Recife, usaram o ponto avançado do Nordeste para as operações militares para a áfrica e Europa. Passaram-se os anos, crescimento demográfico, expansão das fronteiras agrícolas notadamente no setor açucareiro e fumageiro, implantação da indústria automobilística foram fatores preponderantes na expansão da malha viária do Estado. Na década de 70, a Sudene contribuiu de forma decisiva, através do Departamento de Transporte, para a modernização da estrutura dos DER dos Estados com a aquisição de equipamentos rodoviários, novas técnicas na área de manutenção de frota e estradas, além da formação de engenheiros, fato criado pelo programa da USAID do governo americano. Hoje, saindo de Maceió na direção do Litoral Norte, cada trecho da AL-101 é uma história de tudo aquilo que não desejaríamos encontrar. Poderia o DER apresentar qual o volume de tráfego nos pontos de densidade demográfica significativa como Jacarecica, Guaxuma, Riacho Doce, Ipioca, Paripueira hoje considerados bairros e somente com uma via de acesso? Tudo o que poderíamos desejar de uma rodovia passaria primeiro pela qualidade da pavimentação e, em seguida, pela sinalização, acostamento, tratamento do sistema de drenagem, atualmente escoamento de esgoto sanitário a céu aberto das residências edificadas ao longo, remoção de entulho de lixo e restos de demolição lançados à revelia. Ao longo do tempo, passaram governantes e o legado da falta de política pública de uso do solo e, conseqüentemente, do ordenamento urbano nos deixou como herança imagem panorâmica feia, desprezada, improvisada pela pobreza que a produz sem que órgãos que tratam da questão se manifestem criando projetos, buscando financiamentos, envolvendo comunidades em busca de melhoria de vida e oferecendo a quem transita por tão bela região o sentimento de que estamos realizando. Para novos projetos oriundos da iniciativa privada, nada mais justo de que órgãos do governo exijam taxa de ocupação, ordenamento da faixa de domínio da rodovia, política ambiental, etc. (*) É engenheiro.