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Opinião

No c�u com Maria

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| MARCOS DAVI MELO * Os nossos melhores literatos sempre que puderam cantaram com paixão em prosa e verso a nossa terra e a sua culinária. Carlos Moliterno, autor do monumental livro de poesias A Ilha, com quem tive o grande prazer de conviver intimamente por muitos anos, constantemente se referia a Alagoas na forma de puro enlevo; quando estava na casa de seu amigo-irmão Osvaldo Vilela --- respeitado médico gastroenterologista, patrono da nossa Academia de Medicina ?, nos fins de semana, tomando um uisquinho e a anfitriã, dona Dedê lhe servia um siri bem ovado, o Moliterno, extasiado, fazia poesia na hora em seu louvor e a sua extraordinária cozinha. Moliterno era magrinho, mas sempre foi bom garfo, desses que muito apreciam a qualidade e não a quantidade: um gourmet. Devorava siris ovados com extrema satisfação e incontida exaltação; mas não desprezava as peixadas com pirão, a carne do sol, o sururu. Aliás, uma das suas maiores tristezas foi, quando já no outono da vida, o mestre Aurélio Buarque de Holanda esteve em Maceió e, saudoso, pediu para comer sururu de capote na beira da lagoa, ao pôr do sol e não se encontrou nenhum restaurante ou boteco que servisse a iguaria caeté ao criador do dicionário mais conceituado do País. Carlos, além da Ilha e outras obras, nos deixou a letra do hino de Maceió, o que pouca gente se lembra. Outros poetas, como Noaldo Dantas, mesmo não sendo alagoano, produziram obra toda dedicada a nossa terra, onde sempre exaltaram entre as suas mais preciosas jóias, a culinária. Eis que, em certo fim de semana recente, tive com Ivanelza e alguns poucos ungidos casais, o extremo privilégio de receber generoso convite de uma das maiores feiticeiras das cozinhas das terras caetés, dona Maria Rocha, para jantar em seu confortável apartamento, situado à beira mar da Jatiúca que reluzia as emanações de uma exuberante lua cheia. O que junto ao papo amigável e aos monumentais acepipes, que entre tantos e tão apetitosos, estavam os camarões! Sim, os únicos que podem superar os do antigo Bar das Ostras. Sentimo-nos todos, naquele momento, no céu de Dona Maria Rocha. Hoje, não tem mais o Bar das Ostras, memorável casa de pasto que servia o melhor camarão já servido na face da Terra, mas, felizmente, temos casas de pasto que se dedicam à culinária alagoana, preservando-a, que, terra que se pretende desenvolver no turismo, deve sim, cultivar os seus valores culturais e o seu patrimônio humano, entre eles as irmãs Rocha, memória maior da nossa culinária. (*) É médico e professor da Uncisal.

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