Opinião
Ano Paulino: �, bendita cruz que me educa na f�
| DOM ANTONIO MUNIZ * No mundo do campo de extermínio em Auschwitz (Polônia), no dia 9 de agosto de 1942, seguia firme sem vacilar Edith Stein: Teresa Benedita da Cruz, que repetia lá dentro de seu coração o seu já conhecido: ?Salve, Ó Cruz, única esperança?. Aquele que segue o caminho do Evangelho deve experimentar em si mesmo o prolongamento da paixão e da morte de Jesus. Somente através deste caminho de sofrimento, a transformação que manifesta a nova vida em Cristo pode realmente acontecer. Quem, de fato, partilha e experimenta em sua própria carne o sofrimento de Cristo, pode falar de forma convincente de sua ressurreição. Lamento muito que esta ciência da Cruz está sendo muitas vezes negada, até por quem se diz cristão. Espero muito que este Ano Paulino possa reacender em nós a chama desta sagrada ciência. Esta é a lógica desconcertante de nosso Deus. Somos peregrinos através da história. Em nosso caminhar, ouvimos a voz do Senhor que nos diz: ?pega a tua cruz? e, de repente esta voz nos faz compreender que, para chegar ao termo de nossa caminhada, devemos necessariamente subir o Monte Calvário. Santa Teresa de Jesus dizia a suas monjas dadas às comodidades que elas entraram no Carmelo não para serem mimadas por Jesus, mas para sofrerem por Ele. O Beato Charles de Foucauld afirmava que ?para seguir a Jesus crucificado, tenho que levar uma vida de Cruz. Se levo uma vida de delícias, isto não pode durar por muito tempo?. A Cruz faz parte da nossa vida espiritual. Sofrimento, dor e ansiedade são realidades humanas reveladoras desta face da cruz presente no quotidiano de nossa vida e de nossa missão. Somente na contemplação do Cristo crucificado, podemos encontrar o sentido para nossa opção radical de seguimento dele, ?sem olhar para traz?. Por trás do Cristo crucificado, podemos ver, com os olhos da fé, os contornos do Cristo ressuscitado e descobrimos sempre a lógica do amor que se esconde na aparente fatalidade da cruz: ?Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos? (Jo, 15,13). Esta dinâmica constitui o ato sublime do aniquilamento de Jesus e, ao mesmo tempo o caminho proposto para cada discípulo. São Paulo capta a conseqüência desta verdade na vida de Jesus e de seus discípulos exortando-os a ?ter o mesmo sentimento de Cristo Jesus?. Em seguida, descreve a kenosis do Filho de Deus como o caminho da fidelidade daquele que se dispõe a segui-lo como discípulo e missionário (Fil. 2, 5-11). (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.