Opinião
A vida nos reserva muitos n�os
| JOSÉ MEDEIROS * Um fato me levou a fazer estas considerações: adolescentes que estudam nos melhores colégios, têm mesada, liberdade de freqüentar os lugares noturnos mais movimentados. De repente, os pais observam mudanças de comportamento e concluem que eles estão usando drogas. Preocupam-se: há notícia, de que no período de 4 meses, 73 jovens que utilizam drogas foram assassinados. Esforços e mais esforços, preocupações que agridem a alma e a sensibilidade. Uma das mães confessa: eu lhe fazia todos os gostos, mesmo com sacrifício. Uma questão que não sai de pauta: costuma-se dizer que a educação dos filhos deveria começar, vinte anos antes, com a educação dos pais. Há muita realidade nisso. A tendência dos pais, quase sempre, é de repetir os modelos de educação que receberam. Acontece que mudanças ocorreram no mundo e na vida. A mídia, as influências externas, muitas coisas contribuíram para as mudanças dos costumes e dos métodos de formação da geração seguinte. Essa influência, a par dos meios de comunicação, afetou o relacionamento entre pais e filhos. Os garotos, de hoje, são mais maduros do que os da geração de seus pais. Aos quatro anos, a criança atinge um razoável nível de inteligência: afirmam cientistas e educadores. Fatos novos tornam o processo educativo bem mais complexo. Questionamentos tornaram-se rotina: a criança hoje tem opinião firmada. Como educar estabelecendo limites, controles, sem cair no autoritarismo e na repressão? É certo ser sempre o bonzinho e complacente, que atende a todos os desejos da criança? Dizer sempre não é deixar-se ser rotulado, pelo grupo de adolescentes, como caretas, reacionários e antipáticos? Há dezenas de dúvidas. As respostas nem sempre são completas. É difícil controlar situações da adolescência, se o processo educativo não se iniciou desde a mais tenra idade. A definição de limites, as orientações, as proibições, os diálogos e convencimentos, mesmo quando implicam posições antipáticas e mal-aceitas, devem estar presentes em todos os momentos do processo educativo. Se, desde pequeno, o filho for acostumado a fazer o que quer na adolescência, qualquer proibição será mal interpretada. É simpático dizer sim; mas, nem sempre é possível dar resposta afirmativa, reagir com tolerância, quando se sabe que isso pode redundar em prejuízos futuros para o filho. A posição firme dos pais, mesmo que assumida com algum constrangimento, reflete-se positivamente no futuro. Sabe-se que a vida nos reserva muitos ?nãos?. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.