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1968, ano de prova para a Igreja

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| DOM EDVALDO G. AMARAL * 1968 ? foi o ano dos distúrbios de rua dos estudantes de Paris em maio, que se espalharam pelo mundo todo; o ano do assassínio de Martin Luther King e Robert Kennedy. No Brasil, foi o ano do AI-5, quando o regime militar fechou o Congresso e suspendeu as garantias constitucionais. Para a Igreja, também foi um difícil ano de prova. Foi um cálice amargo, diz o Card. Francis Stafford, então teólogo da diocese de Baltimore. Quando o papa Paulo VI assinou em 25 de julho daquele ano a Encíclica Humanae Vitae, sobre a regulação da natalidade, encontrou oposição imediata, premeditada e sem precedentes da parte de alguns teólogos e sacerdotes norte-americanos. Em artigo recente do L?Osservatore Romano, o cardeal Stafford, hoje penitenciário-mor da Santa Sé, narra detalhes de uma reunião organizada em Washington pelo padre Charles Curran, professor de teologia moral da ?Catholic University of América? na noite de 29 de julho de 1968. A reunião foi realizada com outros nove professores de teologia da mesma universidade. Mediante um acordo feito com o jornal Washington Post, o grupo recebia capítulo por capítulo, à medida que chegavam à rotativa do jornal. Pelas 21 horas, eles haviam recebido todo o texto e depois de lido, analisado e criticado, redigiram a famosa ?Declaração de consciência? em seiscentas palavras, em que rejeitavam o ensinamento pontifício. Conforme noticiou o mesmo jornal, os 10 organizadores ficaram telefonando para teólogos americanos até às 3h30 da madrugada, pedindo-lhes de incluir seus nomes como signatários, embora eles não tivessem tido oportunidade sequer de ler a Encíclica, nem mesmo a Declaração. No início de agosto Francis Stafford foi convidado para uma reunião em Baltimore para discutir o documento papal. Lá, o líder da reunião apenas solicitou a assinatura de todos à ?Declaração? de Washington, dando razões do tipo ?manter a credibilidade da Igreja diante do público? ou ?flexibilidade na formação da consciência dos cônjuges? no uso dos meios artificiais de contracepção. Não houve tempo, acentua Stafford, de debater, discutir ou rezar. Cada um tinha que responder ?sim? ou ?não?. Todos concordaram. Ele ficou por último e negou-se a assinar. Foi atacado violentamente e ameaçado, diziam, ?em sua carreira eclesiástica?. A Encíclica de Paulo VI, chamada pelos seus adversários com desprezo ?a encíclica da pílula?, nada fez senão reafirmar, a tradicional doutrina cristã: a santidade do sexo cristão, gerador da vida, sem o uso dos meios artificiais de contracepção. (*) É arcebispo emérito de Maceió.

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