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Cinema

Os Lumière e o Oscar

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Foi em 1895, na cidade de Lyon, na França, que os irmãos Lumière inventaram o cinema. Eles criaram o cinematógrafo, um aparelho que projetava imagens fotográfica em sequência, dando a impressão de movimento. Em seguida projetaram o filme “A Saída dos Operários da Fábrica Lumière“, de 60 segundos, para uma pequena plateia da sociedade. Foi a primeira produção cinematográfica.

Foram precisos 130 anos da criação do cinema e quase 95 anos da criação do Oscar - maior prêmio para o cinema - para que o Brasil o conquistasse na categoria de Melhor Filme Estrangeiro com “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, tendo ainda concorrido às categorias de “Melhor Filme” e e “Melhor Atriz”, para Fernanda Torres, que anteriormente tinha ganho o Globo de Ouro.

Essa premiação marca uma data histórica para o cinema brasileiro. É fato que, ao longo de sua história, a produção cinematográfica obteve algum reconhecimento com a Palma de Ouro, em Cannes, com “O pagador de promessas”, em 1962, e consagrou Glauber Rocha com “O dragão da maldade contra o santo guerreiro”, em 1969. É inegável, entretanto, que o troféu concedido a “ Ainda Estou Aqui” pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood revestiu-se de significados especiais. Trata-se de produção inspirada no livro do escritor Marcelo Rubens Paiva, ambientada em um período sombrio da história social e política nacional.

O filme apresenta, de forma arrebatadora, a comovente história de Eunice Paiva e sua família em busca de um desenlace para o dramático desaparecimento do engenheiro e ex-deputado Rubens Paiva, sequestrado e assassinado pela ditadura militar em circunstâncias jamais esclarecidas oficialmente. Bem recebido antes no Festival de Veneza, onde ganhou o prêmio de melhor roteiro, o filme logo cativou as plateias brasileiras e passou a merecer atenção internacional.

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Num ambiente extremamente competitivo, no qual o cinema brasileiro ocupa lugar periférico, as virtudes de “Ainda Estou Aqui”, entre as quais, a notável interpretação de Fernanda Torres, se impuseram.

Em que pesem desprezíveis cizânias da parte de saudosistas do autoritarismo, o exemplo e a resiliência de Eunice Paiva ganham projeção num momento em que ameaças à democracia cruzam fronteiras e fazem do mundo um lugar menos seguro para se viver. Ao reavivar a memória da opressão, do desrespeito aos direitos, da violência do Estado e do desprezo pela vida, traços que infelizmente ainda estão aqui, o filme nos deixa um legado essencial e valioso, e em um momento de efusão e alegria do carnaval.

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