Opinião
Esperan�a ambiental - Editorial
Segundo a mídia especializada, começou ontem a 25ª reunião da Comissão Florestal para a América Latina e o Caribe. O evento, anunciado para se realizar de 28 de setembro a 3 de outubro, em Quito (Equador), tem como pauta a discussão de um menu de ações nacionais destinadas a reduzir a crescente devastação das florestas caribenhas e latino-americanas. Justa preocupação. Infelizmente, as grandes bandeiras ecológicas têm sido prejudicadas por uma conjugação heterogênea de fatores, onde findam se encontrando duas vertentes formalmente antagônicas, em suas versões radicalizadas: o ?ambientalismo? desvairado e o ?desenvolvimentismo? anárquico. Artificialmente radicalizadas, as autodefinidas ONGs ambientais, salvo honrosas exceções, vociferam por florestas imaculadas contra todas e quaisquer formas de intervenção organizada; e obtusos arautos do crescimento econômico a qualquer custo repelem quaisquer formas de limites à pura e simples devastação ambiental. O resultado dessas desinteligências tem sido inexoravelmente prejudicial, tanto ao meio ambiente quanto ao desenvolvimento. A falta de entendimento acerca dos limites e a inexistência de normas exeqüíveis fazem com que as agressões ambientais sigam adiante, de forma cada vez mais prejudicial ao planeta. Devemos torcer para que aconteça com expressiva participação e representatividade. Devemos torcer para que dela emanem propostas conseqüentes, corajosas e sustentáveis, capazes de nortear a união entre os caminhos do desenvolvimento e do ambientalismo. Afinal, na América Latina e no Caribe, em seus 924 milhões de hectares de florestas naturais, sobrevive a maior parte da biodiversidade do planeta. E tentam sobreviver, nesta mesma região do globo, milhões de seres humanos em condição de miséria. Não existirá solução excludente para uma dessas duas demandas estratégicas.