Opinião
Com licen�a...
DOM JOSÉ CARLOS MELO, CM * Como foi divulgado nos meios de comunicação, no último dia 03, com a aceitação do pedido de renúncia do sr. arcebispo Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, assumi o governo pastoral desta Arquidiocese de Maceió como arcebispo metropolitano. Nesta condição de pastor, apraz-me dirigir-me aqui pela primeira vez a você, prezado leitor, e a todos os diocesanos. Bato à sua porta ? à porta da sua casa e do seu coração ? dizendo discretamente, sem barulho e com confiança: ?Com licença!? Sim, dirijo-me a você, sacerdote, religioso ou leigo. Com isso, relembro a admirável e expressiva figura de Jesus, imortalizada por grandes artistas, com estas palavras: ?Eis que bato à porta e venho!? (Ap 3,20). Mas para que venho? Para servir. Sim, com ela, venho servir simplesmente e segundo o Evangelho. Aí estão o sentido e o espírito de minha missão de bispo. Com efeito, com muita propriedade e numa intuição profética, João Paulo II quis indicar à ?X Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos no ano 2001?, este tema de relevo: ?O bispo servidor do Evangelho de Jesus Cristo para a esperança do mundo?. Na verdade, há uma inseparável unidade entre Cristo e o seu Evangelho e este tema quer afirmar que é ele, Jesus Cristo, Filho de Deus, enviado pelo Pai e ungido pelo Espírito Santo (Jo 10,36), a esperança do mundo e do homem, de todos os homens e do homem todo. Ele é o Evangelho do Pai. Como diz muito este tema e como este título e esta visão preenchem e dinamizam a vida do bispo num mundo de desafios, descrenças e ilusões e vazio de esperança! Não estranhem, pois, que eu me apresente tão somente como bispo servidor do Evangelho de Jesus Cristo! Esta consciência e definição do que sou e pretendo fazer em minha missão é fundamental e decisiva para mim como pastor e para o rebanho. Não esperem outra coisa de mim. Nesta perspectiva, gostaria de destacar algumas palavras de referência que nascem do meu coração de pastor. A primeira é Esperança. No início de sua primeira carta a Timóteo, o apóstolo Paulo assim projeta a figura central de sua pregação: ?Jesus Cristo, nossa esperança?(1 Tm 1,1). Ele foi enviado pelo Pai e ungido pelo Espírito Santo como alegria e esperança dos homens. É nele que depositamos nossa total confiança de uma vida nova. A segunda palavra é Unidade. Ela é fundamental para a Igreja, para nossa vida e para nossa ação pastoral que deve saber administrar as diferenças e conviver com as diversidades guiada pelo Espírito que sopra onde e como quer. Também ela corresponde ao grande desejo de Jesus que rezava ao Pai: ?Que eles sejam um como nós? (Jo 17,11). A terceira é Comunhão. Para isso, somos chamados, como nos afirma a apóstolo João: ?O que vimos e ouvimos vo-lo anunciamos para que estejais em comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo para que nossa alegria seja completa? (1 Jo 1,3). Daí, a necessidade da superação de todas as barreiras a todos os títulos sob a inspiração da caridade que ?tudo supera, tudo suporta, tudo perdoa, é paciente, não procura o seu próprio interesse e é prestativa? (1 Cor 13,4ss). Enfim, a quarta palavra é Participação. Ela está intimamente ligada à comunhão e deriva do mandato recebido de Jesus. Somos chamados e convocados a participar do ministério salvífico de Cristo que diz a todos os seus discípulos: ?Ide, eis que vos envio para pregar a boa nova do reino?. Ser Igreja é participar. Ninguém pode ficar à margem e cruzar os braços, para que haja um trabalho comum e uma ação pastoral de conjunto. Devo encerrar e voltarei em breve, agradecendo-lhe por ter aberto a porta e escutar-me. (*) é arcebispo metropolitano de Maceió