Opinião
Novos dados da crise
Os resultados da pesquisa do Gape, que trazemos nesta edição, revelam que 60% da população em Maceió está sendo forçada a reduzir os gastos com alimentação para adequar o orçamento às despesas. E 45% informam que a alimentação de suas famílias é pobre em nutrientes. Não poderiam ser outros os efeitos da desvalorização da moeda brasileira, da escalada do desemprego, da elevação dos juros, bastante superior às de outros países mais desenvolvidos. De tantos outros problemas que continuam dificultando o crescimento do País, contribuindo para o agravamento de uma situação já difícil nos primeiros anos de vigência do Plano Real ou do Programa de Estabilização Econômica, com os efeitos dos primeiros sinais da desaceleração da economia e dos primeiros contingentes de desempregados. Chegamos no fim do século 20 e do último milênio com as preocupações da maioria dos brasileiros crescendo o aumento da carga tributária, o congelamento dos salários, o desmonte dos serviços públicos, a desvalorização do trabalhador, o fechamento de indústrias importantes. Principalmente nas regiões tradicionalmente mais pobres e discriminadas pelo poder central. Com o País ainda mais empobrecido, o salário mínimo sendo mantido entre os mais humilhantes em todo o mundo e o poder de compra da população minguando. Notadamente dos segmentos que sempre foram os principais afetados pelas distorções salariais. Até muitas das conquistas de várias categorias de trabalhadores, obtidas depois de muitos anos de lutas, foram extintas. E a Nação passou a conviver com uma maior quantidade de famílias sobrevindo com menos da metade do salário mínimo, além de uma expressiva parcela do total da população que permanece abaixo da linha de pobreza. E a minoria dos mais ricos, e dos mais privilegiados, inclusive no serviço público, concentrando mais renda. É preciso atentar para essa realidade. Para as necessidades mais urgentes do País. E as advertências em relação ao seu futuro, como as que foram feitas pelo cientista político Hélio Jaguaribe, na semana passada, no Rio de Janeiro, durante um seminário sobre os oito anos do Plano Real e publicadas pela Agência Folha. De acordo com ele, o Brasil precisa crescer 7% ao ano, nos próximos 20 anos, para conquistar a independência perante os organismos internacionais. Para não ser um país que tem hino e bandeira, mas que é controlado internacionalmente. Além disso, o Brasil também deve ter como outro objetivo central a erradicação da pobreza.