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Opinião

Fogos amigos - Editorial

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Apesar da crescente popularidade do presidente da República, os demais astros do governo federal oferecem demonstrações públicas de desencontros, fazendo com que sejam ampliadas as dúvidas acerca da pertinência e conseqüência das políticas emanadas da Esplanada dos Ministérios. Recentemente, o ministro do Meio Ambiente definiu como ?muito ruim? o ?avanço do desmatamento registrado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)?. O balanço do órgão federal indica crescimento de 134% do desmate [na região amazônica] em agosto, em relação ao mês anterior. E os números apresentados apontam os assentamentos implementados pelo Incra como sendo os principais devastadores da floresta amazônica. Segundo as contas apresentadas pelo Inpe, ?juntos, os assentamentos do Incra foram responsáveis por mais de 220 mil hectares de devastação da Amazônia, área equivalente a 220 mil campos de futebol?. Essa informação deve ter feito ferver a cuca dos naturalistas fashions ? versados na prosa fácil. O Incra rebate e se proclama injustiçado, justificando que ?as imagens de satélite utilizadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para as multas são antigas e alguns assentamentos foram criados quando a legislação permitia desmatamento de até 50% das propriedades, e não os atuais 20%, de acordo com as regras de reserva legal?. Mesmo concedendo aos contedores governamentais uma polpuda margem de erro em suas análises, o certo é que a Amazônia segue sendo vítima da falta de políticas firmes e claras para determinar uma relação adequada entre as angústias conservacionistas e o anseio desenvolvimentista. Nota-se que o governo federal está perdendo um tempo precioso, enquanto o desmatamento indiscriminado mutila a Amazônia.

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