História
Construtores de Alagoas LXXXI
“A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso: a palavra foi feita para dizer”. Frase lapidar do genial Graciliano Ramos de Oliveira (27.10.1892 - Quebrangulo - 30.03.1953 - Rio de Janeiro). Estreou na sua trajetória literária em 1904, nos albores de sua vida. Dedicou-se ao estudo de inglês, francês e italiano. Entre 1914 e 1915, migrou à Cidade Maravilhosa para ser o revisor nos Jornais O Correio da Manhã, a Tarde e o Século, voltando posteriormente à terrinha. Foi prefeito de Palmeira dos Índios, renunciando ao cargo em 10 de abril de 1930 por questões pessoais. Escreveu o famoso Relatório ao então Governador Álvaro Paes, prestando contas de sua séria gestão à frente da Prefeitura Municipal. Esse relatório, bastante singular e expressivo, consta do volume de Viventes de Alagoas.
Em 1930, veio fixar residência em Maceió, acompanhado da família. Foi nomeado diretor da Imprensa Oficial do Estado, demitindo-se em 26 de dezembro de 1931, por motivos políticos. Na terra do Dr. Ivan Barros (1932), Palmeira dos Índios, iniciou e concluiu São Bernardo, seu segundo romance, em boa parte escrito na sacristia da Igreja Matriz da cidade. Em 18 de janeiro de 1933, foi nomeado diretor da Instrução Pública, hoje equivalente ao cargo de secretário de Educação, permanecendo lá até março de 1936. Nesse ano, foi preso pelo Exército como comunista, obtendo liberdade em 13 de janeiro de 1937. Em seguida, escreveu seu romance Memórias de Cárcere, em que, por sinal, magistralmente retrata o seu inconfundível estilo de escritor nacional.
Escreveu, ainda, Angústia (1936), quando ainda se encontrava na prisão sem direito a abertura de processo, bem como a defesa. Em 1938, brotou Vidas Secas, seu quarto e último romance. Inteiramente na terceira pessoa gramatical. Percebe-se bem o ilustre quebrangulense a serviço da literatura nacional. As obras em epígrafe foram escritas em mais de uma dezena de línguas estrangeiras numa inequívoca demonstração do interesse que as mesmas têm despertado.
Vidas Secas, São Bernardo e Memórias de Cárcere foram transformados em filmes de grande repercussão nacional. Graciliano Ramos faleceu no Rio de Janeiro, no dia 30 de março de 1953, aos 61 anos de profícua existência. Seus livros são escritos com uma irrepreensível pureza gramatical, assemelhando-se a Machado de Assis, sertanejo, fundador da Academia Brasileira de Letras.
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