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Opinião

Enfim, o circo fechou

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Assistir aos programas do guia eleitoral foi como se sentir imprensado no poleiro de circo de quinta categoria, vendo palhaços se esgoelando para fazer rir a platéia, shows musicais intoleráveis, dramas de exploração da pobreza, que mais uma vez paga o preço de ser a protagonista desse picadeiro. Vamos ser honestos o suficiente para admitir que foi deprimente, insuportável, enjoado, sem comando, estratégia nenhuma, conteúdo zero. Enganaram-se redondamente os que pensaram que o nível seria outro. Nos anos 60, o Circo Zé Bezerra, famoso, conhecido por todos da época, perambulou por cidades do Sertão alagoano, estendendo suas lonas estragadas e com lotação sempre esgotada. Não eram palhaços, mágicos, o manjado drama de O Ébrio, interpretado pela voz do inconfundível Vicente Celestino como fundo musical, nada disso motivava a platéia a consumir rapidamente os 150 ingressos. Os menos aquinhoados faziam um sacrifício danado para pagar CR$ 10 e assistir ao espetáculo da noite, sim senhor. A atração do Circo Zé Bezerra era a bailarina Neuza, mulher linda, pernas, longas, coxas roliças, cabelos escorridos até a cintura, seios turbinados que, se fosse hoje, diríamos que eram siliconados. Os endinheirados das cidades ficavam loucos por Neuza, faziam qualquer negócio para se aproximar daquela deusa. Os mais jovens lisos e sem chance nenhuma, acalmavam seus impulsos trancafiando-se nos banheiros para jogar água fria no juízo. Os remelexos da bailarina requebrando o corpo sensual ao som de La Bamba inspiravam fantasias deliciosas. Os artistas do espetáculo que acabamos de assistir, não tinham produção e muito menos direção. As bailarinas eram peruas que se agrediam trocando insultos, não dançavam nem remexiam os quadris. Os shows não atraíram público por serem enfadonhos, demagógicos, exploradores dos miseráveis, agressivos e vulgares. Em momento algum, a platéia teve vontade de aplaudir. Como aplaudir tanto desrespeito invadindo nossas casas por um picadeiro escasso de atrações? Melhor era o saudoso Circo Zé Bezerra com sua bailarina Neuza, dava prazer em assistir à pureza dos espetáculos. O guia eleitoral pelo rádio e TV, convenhamos, foi frustrante para quem acreditava ver ali um imenso palanque com oportunidade de debates eloqüentes, conteúdo e propostas claras para o desenvolvimento de Maceió. Projetos convincentes, principalmente para pais jovens, desesperançados que não vêem a hora de tirarem seus filhos daqui por não acreditarem mais na perspectiva de futuro com geração de emprego e renda, saúde, educação, segurança e vergonha. Cabe agora ao eleitor fazer seu show particular, votando com independência e soberania em quem não quer meter a mão na esperança, dignidade e no bolso de sua platéia. Assim, Maceió agradece, oferecendo longos e calorosos aplausos. (*) É publicitário.

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