Opinião
Almo�ando com o presidente
Meu avô Linduarte, chefe político de Água Branca, os filhos prefeito Gilberto e deputado Renato Villar, amigos e correligionários, recebiam o dr. Arnon de Melo com banda de música e festas. Certo dia, em Palácio na formação da mesa da Assembléia Legislativa houve um forte impasse pela escolha do primeiro secretário.O governador Arnon interviu: ?por que não o deputado Renato Villar, bom orador e competente companheiro??. O Senador Arnon, tempo depois, em outras jornadas políticas, ao me encontrar, afirmava: ?o deputado Rubens Villar vai longe!?. Não é que o destino me fez governador do Estado de Roraima pelas mãos do seu filho, o presidente da República Fernando Collor. A mensagem presidencial indicando meu nome para governador ao Senado da República, somente teve um voto contra. Havia sido avisado pelo senador Fernando Henrique Cardoso que o Mário Covas não iria votar em meu nome, pois tinha mágoa do presidente por não ter aceito o convite que lhe fez para compor a sua chapa na condição de vice-presidente da Republica. O tempo mostrou que o presidente Collor estava certo. Mas fui honrado com os votos de Marco Maciel, Nelson Carneiro, Afonso Arinos de Melo Franco, Roberto Campos, Teotonio Vilela Filho, Guilherme Palmeira. Ao chegar ao Palácio do Planalto o ministro chefe do gabinete militar general Argenor Homem de Carvalho foi logo me dizendo: ?O presidente falou que o senhor ficasse para almoçar, está muito satisfeito com a votação no Senado.? À mesa, no Palácio do Planalto,o presidente Collor, aquele que deu o célebre grito afirmando que o carro brasileiro era uma carroça, o governador de Roraima RV, o General Tinôco, disciplinado ministro do Exército, o general Argenor Homem de Carvalho, ministro Chefe do Gabinete Militar, um verdadeiro diplomata, e o Ministro da Justiça dr. Bernardo Cabral, jurista, ex-presidente da OAB nacional, senador da República. Foi um encontro muito interessante. Ao final da reunião, o presidente me disse: ?Governador, acompanhe o Ministro da Justiça para a preparação de sua posse?. Logo que chegamos ao Ministério, a secretária se apressou em informar que o ministro da Infra-Estrutura Osires Silva estava chegando e desejava ser recebido. Para deixá-los à vontade, fiz menção de passar à sala contígua. O ministro Bernardo Cabral disse rindo: ?o que você ouviu do presidente e dos ministros na hora do almoço já não há segredos na República, por favor, fique aí, assim é o Poder?! (*) É ex-deputado, ex-senador e ex-governador de Roraima.