Opinião
Sergipe, patrim�nio mundial. E n�s?
A proteção da cultura e da natureza exige um esforço imenso da sociedade como um todo. Preservar essa riqueza permite que o mundo continue a se apreciar e a se valorizar, sabendo que o patrimônio de cada povo pertence a todos os habitantes do planeta. As autoridades governamentais, em qualquer continente, têm como uma de suas tarefas propor a inclusão dos sítios representativos locais na Lista do Patrimônio Mundial e garantir sua proteção, cabendo à sociedade civil mobilizar-se para conseguir e manter a classificação. No Brasil temos Brasília, Olinda, as Cataratas do Iguaçu; a Serra da Capivara, no Piauí; as ruínas das Missões, no Rio Grande do Sul; os centros históricos de São Luís, no Maranhão; Diamantina, em Minas Gerais; Goiás Velho, em Goiás; o Pelourinho, em Salvador, dentre outros, além, claro, dos parques nacionais. Sergipe está em festa, pois a Praça de São Francisco, na antiga capital, está prestes a entrar nesse rol privilegiado. São Cristóvão dista 26 quilômetros de Aracaju. No último dia 11 de julho, o governo do Estado de Sergipe foi comunicado que a candidatura da Praça São Francisco a Patrimônio da Humanidade foi aprovada durante a 32ª Sessão do Comitê de Patrimônio Mundial da Unesco, realizada na cidade de Quebec, no Canadá. Anteriormente, a candidatura defendida pelo governo estadual, Iphan e Minc foi avaliada pelo Icomos como ?deferral?, o que significa que o dossiê enviado é devolvido ao Estado-Parte para definição de nova Declaração de Valor Universal. A delegação do Brasil buscou apoio junto a outras delegações para a alteração do status de ?deferral? para ?referral?, que significa que o valor universal da candidatura já está reconhecido pelo comitê, devendo apenas receber informações complementares. O governador Marcelo Deda tomou o assunto como prioridade do Estado. Por que não começamos a trabalhar algo em torno de nossas riquezas, como Angiquinhos, Penedo, Peba, ou mesmo Marechal Deodoro? Não é fácil, o trabalho é árduo, temos muitos problemas no sistema de proteção, mas contamos com bons parques e monumentos, a sensibilidade do secretário Osvaldo Viegas e do governador Teotonio Vilela e uma equipe talentosa no Pró-Memória. Imaginemos a contribuição que um aval desses dará à valorização da identidade alagoana, além das alternativas para o desenvolvimento, o incentivo do turismo e a geração de empregos. Mãos à obra! (*) É professor e historiador.