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Opinião

Poeta, m�dico e muito mais

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É necessário que as novas gerações conheçam a obra literária do excepcional poeta alagoano Jorge de Lima. Conversando com o professor Douglas Apratto Tenório, vice-diretor do Cesmac, combinamos de fazer um seminário que enfocasse a vida e a obra desse escritor, patrocinado pelo Centro de Estudos Superiores de Maceió e Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames). A idéia inicial foi ampliada pelo entusiasmo que despertou: além do ?Seminário: o múltiplo Jorge de Lima?, acrescentou-se a ?Semana Acadêmica do Curso de Letras: Jorge de Lima em foco?. Buscou-se discutir o poeta, romancista, médico, político e pintor, extraordinário em sua multiplicidade de desempenhos. Devemos enaltecer a comissão organizadora, da qual participaram os núcleos do NPE e Fecom, do Cesmac. Como foi dito na apresentação do convite: ?Jorge de Lima constituiu-se em figura importante em seu tempo, consolidando-se como alagoano de renome nacional e internacional. Exaltou o regional e o universal, a negritude e o sagrado?. Em 19 de dezembro de 1914, Jorge de Lima recebeu o título de Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Já em janeiro do ano seguinte, iniciava suas atividades profissionais em Maceió. Segundo dados disponíveis, havia 16 médicos em atividade na cidade. Rapidamente, seu trabalho humanitário destacou-se. Seu consultório estava sempre cheio de clientes pobres. A estes, dava remédios de graça, que não eram ?amostras grátis?, e sim originais retirados da farmácia. Tinha o coração aberto às dores daqueles que tratava. Em 1921, Jorge de Lima foi eleito ?príncipe dos poetas de Alagoas?. Uma medalha de ouro foi o prêmio. Numa ação altruísta, ele a ofereceu ao jurista alagoano Pontes de Miranda, um dos nomes de maior destaque no campo jurídico, a quem considerava ?o príncipe dos nossos intelectuais?. De certa feita, conversei com o jornalista e escritor Carlos Heitor Cony e ele me contou que possui uma fotografia, de 1931, na qual estão reunidos aqui, em Maceió, os maiores nomes das letras nordestinas: Aurélio Buarque de Holanda, Graciliano Ramos, José Lins do Rêgo, Raquel de Queiroz, Jorge Amado, Gilberto Freire, Valdemar Cavalcante e o poeta Jorge de Lima. O autor do soneto O acendedor de lampiões, do poema Essa negra Fulô e de Invenção de Orfeu tinha esta característica a mais: conseguia reunir, em torno de si, os grandes nomes da literatura brasileira. É necessário que ele seja sempre lembrado e reestudadas suas obras por docentes e alunos de nossas faculdades. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.

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