Opinião
Eutan�sia, o que voc� pensa?
| MIRIAN GUSMÃO CANUTO * Voando de Barcelona para Madri, em setembro passado, chega-me às mãos o jornal El País, um dos mais lidos da Espanha. Na manchete principal via-se: governo lança um debate sobre a legalização do suicídio assistido. E continua: o Ministério da Saúde planeja modificar o Código Penal do País para instituir a eutanásia. Afirma o Ministro Bernat Soria, que a sociedade é moderna e está preparada. Argumenta, que seria uma resposta do governo e da sociedade, em casos como o de Ramón Sampedro, um tetraplégico que travou uma grande batalha legal para morrer com uma injeção de cianureto em 1998. O caso teve repercussão mundial. O ministro quer garantir que os pacientes terminais não sofram dolorosas e inúteis agonias. O planejamento dessa reforma segue a linha das leis que foram aprovadas em outros países da Europa, como Suíça, Holanda e Bélgica. Nestes dois últimos, a lei permite que um médico prescreva ao paciente medicações que ponham fim à sua vida, desde que seja uma solicitação consciente e que se constate a impossibilidade irrestrita de cura. Perguntado sobre as manifestações dos bispos locais, respondeu Sr. Bernat: ?O Partido Socialista diz: o proprietário do seu corpo é você mesmo; você é quem tem que tomar as decisões?. O assunto é polêmico e extremamente delicado. Muito se tem a refletir. Sou a favor da vida. Devemos persegui-la, exaustivamente! A Medicina muito tem avançado. A expectativa de vida aumentado. Muitos são os argumentos contra: desde os religiosos, éticos, até os políticos e sociais. ?A Igreja, apesar de estar consciente dos motivos que levam um doente a pedir para morrer, defende acima de tudo o caráter sagrado da vida?, afirma a portuguesa Suzana Pinto, estudiosa no assunto. Quanto à Ética Médica, baseada no juramento de Hipócrates, cabe ao médico assistir o paciente, fornecendo-lhe todos os meios disponíveis à sua existência. A eutanásia é considerada homicídio. Para quem argumenta a favor, o suicídio assistido não defende a morte, mas a escolha consciente como melhor e única opção de vida. É uma maneira de pedir alívio, piedade e dignidade para morrer. Se tivéssemos o infortúnio de estar sofrendo, conscientes de um estado clínico irreversível, como agiríamos? Gostaríamos de optar por um alívio mais precoce? Difícil imaginar... Acredito, porém, que bem pior do que a morte é a maneira indigna de atingi-la. Você, o que pensa a respeito? (*) É médica e empresária de turismo.