Opinião
Perigos e ilus�es - Editorial
Segundo estimativas de economistas, o mundo teria perdido algo como um trilhão de dólares, desde os primeiros abalos que se acometeram sobre (ou sob) os mercados financeiros em todo mundo. Como sempre, os menos favorecidos pagarão a parte do leão dessa conta (lembrem-se de 1929), embora algumas gigantes do mundo das finanças tenham ido à lona. Há quem veja uma luz no meio desse terremoto silente. Neo-ecologistas, em publicações especializadas, avaliam que ?menos dinheiro [em circulação no mundo] vai representar menos atividades econômicas e, certamente, menos queima de combustíveis fósseis, (...) menor preço para as commodities e, portanto, menos pressão sobre as áreas de floresta. A Amazônia vai ganhar um fôlego. Os tradicionais compradores de carne e soja não estarão mais tão ávidos por estes produtos (...)?. Santa ingenuidade... Nada de bom poderá advir de uma crise das proporções anunciadas. Para se ajustar, o mundo das grandes finanças ? ao contrário do mundo dos sonhos ? apertará mais ainda os garrotes sobre goelas dos menos poderosos, daí resultando maior degradação ambiental, mais distância dos que têm fome das desejadas gôndolas onde são ofertadas soja e carne. O mundo deve torcer para que as medidas tomadas até agora dêem algum resultado o mais rápido possível, pois ao contrário do florescente imaginário alternativo, as teias do capitalismo estão efetivamente estendidas por todo globo, numa sinergia aterrorizante. E como toda estrutura baseada em superfícies fluidas, seu equilíbrio é frágil e ilusório. O mundo necessita, urgentemente, do estabelecimento de relações econômicas menos especulativas e da construção de múltiplas redes financeiras, sustentáveis, apoiada em mais de um núcleo, pois está provado que o sistema unipolar representa um risco muitíssimo grande.