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Opinião

Eleitos e ungidos

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| RONALD MENDONÇA * Depois de anos de administrações anteriores onde sobressaíaam-se apatia, incompetência e escândalos por mau uso do dinheiro público, a gestão de Almeida recebe expressivo aval. Não sei o tempo em que teremos de morder a própria língua para comentar eventuais desvios de condutas. Independente da bandeira partidária, até o momento, o ?canteiro de obras? em que Maceió se transformou tem sido o maior cabo eleitoral do prefeito, inelutável argumento que explica a consagradora votação. Por outro lado, a goleada da ex-senadora Heloísa Helena nas últimas eleições ? para muitos, surpreendente ? municipais de Maceió é inversamente proporcional ao bisonho desempenho das outras candidaturas tidas como ?de esquerda?. Aliás, a psicologia do eleitor merece mais que um Freud: na mesma circunstância em que enche a bola da confessa marxista/leninista, catapulta a candidatura do cabo Luiz Pedro, cuja heterodoxa metodologia de persuasão é bastante conhecida do público. A própria figura dispensa apresentações, até porque encontra-se muito encrencada com a Justiça comum. Contudo, não há de se negar o prestígio do militar e a incondicional fidelidade de seu eleitorado. Por seu turno, a ex-senadora mostrou-se convincente da necessidade de um discurso agressivo. Não apenas isso: fez crer que essa agressividade ecoa e faz mudar alguma coisa. No fundo, havia uma nostalgia, quem sabe uma saudade ou uma orfandade de posições polêmicas, desde a quixotesca candidatura à presidência. Na enxurrada, um quase anônimo Barbosa, aliado da ex-senadora, pega carona e emplaca uma promissora sinecura de vereador, com menos de esquálidos 500 sufrágios, votação de síndico de condomínio. Um mimo de Natal. O futuro verador pelo PSOL não é a primeira ? certamente não será a última ? aberração parida do nosso sistema eleitoral. De memória, evoco as cavalares votações de Miguel Arraes, anos atrás, no vizinho Pernambuco, quando arrastava consigo para Brasília algumas malas sem alças, que por condão próprio jamais lograriam posto eletivo de relevância. Em São Paulo, campeões de voto como o finado Enéas Carneiro (?meu nome é Enéas?) e o folclórico Paulo Maluf são exemplos de carros-chefes em cujo comboio montaram contumazes parasitas eleitorais. Nessa quadra, não se pode esquecer dos suplentes, sobretudo de senador, que muitas vezes permanecem tanto tempo no lugar dos titulares que a gente até esquece de suas verdadeiras condições de ?voto-zero?. (*) É médico e professor da Ufal.

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