Opinião
Projeto Paulino: configurar-se em tudo a Cristo
Esta identificação construída como projeto de vida, a partir de nossa adesão sem restrições a Cristo, faz dele nossa terra prometida, espaço onde o amor flui como resposta, num movimento contínuo até não haver mais divisão ou separação. Viver em Cristo e deixar que ele viva em nós, nesta troca amorosa, deve ser o dinamismo que marca o compasso da sinfonia da vida, conduz-nos à plenitude da perfeição de nossa identificação com ele: ?Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. Minha vida presente, eu a vivo pela fé no Filho de Deus que me amou e se entregou a si mesmo por mim? (Gal. 2, 20). Como o apóstolo Paulo, somos impulsionados a confessar com toda confiança e liberdade: ?Agora eu me regozijo nos meus sofrimentos por vós, e completo, na minha carne, o que falta das tribulações de Cristo pelo seu corpo que é a Igreja? (Col 1,24). No entanto, devemos compreender claramente que não estamos destinados às honras ou mandos, mas a nos entregarmos totalmente ao serviço de Deus e ao ministério pastoral, identificando-nos com o Cristo crucificado (Cf. Optatam Totius 9). Como o apóstolo Paulo, somos impulsionados a confessar com toda confiança e liberdade: ?Agora eu me regozijo nos meus sofrimentos por vós, e completo, na minha carne, o que falta das tribulações de Cristo pelo seu corpo que é a Igreja? (Col 1,24). Todos os ministérios e serviços na Igreja de Cristo, devem ter sua base neste mistério da Cruz de Jesus. O caminho para Jerusalém é o grande mistério da profissão de Fé cristã. É o grande desafio para a vivência do cotidiano da vida segundo o Espírito. Jesus assumiu este caminho, foi fiel até o fim, sua fidelidade foi marcada por uma atitude fundamental. Ao entrar no mundo, Jesus decidiu fazer a vontade do Pai (Heb. 10,7). Ele assume a obediência ao Pai como fio condutor de toda a sua vida, ação, opções e atitudes. O projeto do Pai se realiza na abertura plena e incondicional de Jesus, o Filho obediente. O Pai foi sempre o seu referencial em tudo e fazer sua vontade constituiu o motivo de sua existência e de sua missão. Ele tocou a sinfonia de sua existência numa harmonia contínua com o desejo do Pai. Foi perfeitamente obediente e fez da obediência a razão da sua íntima e permanente união com o Pai: ?E quem me enviou está comigo, não me deixou sozinho porque faço sempre o que lhe agrada? (Jo. 8,29). Foi também perfeitamente livre, porque estava seguro de que o Pai sempre o escutava: ?Eu sei que sempre me ouves? (Jo. 11, 42). (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.