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Opinião

O novo espa�o

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O mundo espacial é imprevisível teatro em que o eterno bailarino dança o baile da criação. É uma constante de música silenciosa que dá ritmo e harmonia ao bailado das coisas finitas. Na Índia, todos conhecem a bela imagem para ilustrar o relacionamento entre Deus e sua criação: Deus ?dança? a sua criação. Ele é o bailarino e a criação é a dança. Apesar de ser a dança diferente do bailarino, ela não pode existir, no espaço cósmico, sem ele. No instante em que, o bailarino pára, deixa a dança de existir. Só que o dançarino celeste jamais interrompe o seu bailado, porque é esse continuar bailando que alicerça a conservação das coisas criadas. Na procura de Deus, pensa, reflete e filosofa demais o ser humano: palavras, discursos extensos, resoluções até demais. Entretanto, faz-se mister o silêncio, no espaço da criatividade. A sabedoria está no simples olhar: o pássaro voando feliz, a folha saltitando no balanço do galho, a flor exalando perfume, a estrela tremulando no firmamento, as ondas do mar no seu cantochão constante de idas e vindas, o carinhoso murmúrio da fonte a correr. Todos esses componentes da criação podem ser úteis para o ser humano descobrir o misterioso bailarino e a encantadora dança que se vão revelando, através do olhar profundo, do ouvir constante, do tocar sereno, do provar, gustando de quantos fazem e vão fazer a platéia do teatro da vida que, hoje, nos é entregue. Sim, já vimos milhentas pétalas de rosas, centenas de fontes em murmúrio, um sem-número de árvores frondosas, inumeráveis pássaros trilando... Mas, será que vimos, de fato, as árvores, os pássaros, as fontes, as rosas, ou somente os rótulos? Quando olharmos a rosa e vemos somente a rosa, não a vemos na verdade. Mas, quando vemos a rosa e nela desvendamos o mistério, o milagre, então ficamos sabendo o que é a rosa. A Charles Chaplin perguntou uma atriz com uma rosa nas mãos: Chaplin, que é uma rosa? E ele ? uma rosa é uma rosa; para que definir a rosa? O importante é saber o que fazer com a rosa... Neste momento, eu pergunto: para que definir o Espaço Pierre Chalita? O espaço é o espaço. O importante é saber quantos bailarinos por aqui passarão, quantas danças serão aqui executadas, quantos eventos, quantos espetáculos encantarão o espaço que se intitula Pierre Chalita, este gigante da criatividade plástica. Agora, só me resta parabenizar a você Pierre, a você Maurício Nogueira, a você Solange pelo presente do Espaço Pierre Chalita. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e membro da Academia Alagoana de Letras.

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