Opinião
Expectativas, ap�s o pleito
Outro dia, ouvi de um historiador que a democracia pode até não ser o melhor regime de governo, mas certamente é o melhor que conhecemos até agora. Dizia isso, fazendo uma comparação com as diferentes fases de evolução do conhecimento humano. Democracia, afinal, somos todos nós. Eleição não é problema, é oportunidade de encontrar soluções. Você tem o direito de dizer o que quer e o que não quer. Ainda é cedo para afirmar que somos senhores de nosso próprio destino. Muitas vezes, erros de avaliação comprometem resultados. Porém, temos obrigação de caminhar para um gradual aperfeiçoamento como afirmação de cidadania. Voltaram à tona, no período eleitoral, velhos chavões: ?voto dado é rolete chupado?; ?eleitor somente é lembrado e procurado em tempo de eleição?; ?há mais promessas enganosas e vãs que verdades e fatos?; por isso, não quero votar: diz uma eleitora. Estamos, nessa hipótese, diante de uma generalização pouco razoável, pois nivela todos os políticos num patamar de graves deficiências. Há que destacar os bons políticos, os responsáveis, aqueles que realmente conduzem uma ação comprometida com as causas populares. Há que saber discernir e separar o joio do trigo. Opinião de uma eleitora de 18 anos: ?Tenho orgulho da cidade onde moro, procuro delegar o poder político aos mais capazes, não dá para outros decidirem por mim; por isso, não deixarei de votar. Acredito numa exposição que ouvi recentemente: as eleições não terminam com o voto, é necessário acompanhar o trabalho daqueles em quem votamos, tentando dialogar com os representantes na câmara e na prefeitura. O diálogo deve permanecer vivo, mesmo depois das eleições?. Esse depoimento significa um aperfeiçoamento do processo democrático, participação construtiva do eleitor que buscará conhecer os projetos que estão sendo votados e se eles correspondem aos interesses da população. Claro que isso somente será possível se o votante alcançou o patamar educacional de consciência cidadã, que permita essa avaliação. Pode parecer utopia, mas é necessário acreditar que caminhamos para um futuro mais consentâneo, que só será possível através do processo educacional: porque educação é dote que não se gasta, direito que não se perde, liberdade que não se limita. Com ela, alarga-se a possibilidade de evolução, de aprender sempre, armazenando conhecimentos que se aplicam na vida prática, e, nesse caso, na liberdade do direito de escolha: uma nova cultura política, portanto. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.