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Opinião

A boa nuvem da indigna��o

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Nas eleições de 5 de outubro, Alagoas assistiu à derrota de determinadas lideranças políticas locais, tanto na capital quanto no interior. A alternância de poder é natural e saudável à democracia e um revés pode ensinar mais que uma vitória, isto é o que aponta nossas trajetórias pessoais. Em 2002, em minha primeira disputa a um mandato eletivo, não obtive êxito nas urnas. Sensação dolorosa, contudo pedagógica, capaz de realinhar caminhos, corrigir equívocos, provocar amadurecimentos e reforçar disposições. Por outro lado, por mais que as derrotas municipais dos ?caciques? alagoanos na votação deste ano invoquem infortúnios personalistas, na política a avaliação precisa ser estendida. Acredito que alguns dos que durante anos elegeram, fizeram eleger e se reelegeram, e nesta eleição amargam resultados nada satisfatórios, sofrem os efeitos necessários e infalíveis da sabedoria popular. Ou seja, foram reprovados pela sociedade. O processo de construção da cidadania é lento, mas a história humana mostra que ele jamais é inalcançável. É claro que os casos, as situações e as trajetórias não são iguais. Em Alagoas, inúmeros foram os casos de bons candidatos à eleição ou à reeleição que não lograram sucesso neste último pleito. Nunca podemos cair na tentação equivocada e rasteira de acreditar que todos são mal-intencionados. Por vezes, diante das urnas, transformamo-nos em vetores de injustiças, postura que devemos combater. Especialmente porque a nós não é dada a dádiva de voltar ao passado para corrigir o voto equivocado ou baseado em falsas promessas, infelizmente. Desde dezembro de 2007, com a eclosão da Operação Taturana, paira em Alagoas a boa nuvem da indignação contra os maus políticos que se corrompem, que não honram a missão cívica do cargo, que se amesquinham colocando interesses pessoais escusos à frente do ideal de bem servir ao nosso povo. Esta foi a primeira eleição após a ação policial que nos forçou a dizer basta e a não mais aceitar, em nenhuma das esferas públicas ? Legislativo, Executivo ou Judiciário ? a atuação dos que com seus gestos se tornam nossos carrascos na esperança por dias melhores. Neste 5 de outubro, vários ?homens públicos? algozes deste tipo, citados em casos de corrupção das mais variadas espécies, receberam a lição merecida dos eleitores. Sinal animador de que quem vota está mais atento e com menos propensão a perdoar atuações políticas simplesmente imperdoáveis. (*) É deputado estadual.

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