Opinião
Queres a paz?
Desde o século IV d.C., uma frase polêmica tem sido repetida, à guisa de advertência estratégica: ?Se queres a paz, prepara-te para a guerra?. Escrita originalmente em latim (Si vis pacem, para bellum), a divisa contém uma dura verdade em todas as línguas. A comunidade desprotegida é presa fácil. As lições dos séculos e suas tragédias parecem esquecidas por estes lados do globo, pois as forças armadas brasileiras estão sendo encolhidas por força dos cortes orçamentários impostos pelo governo FHC. Exatamente no momento em que se discute a viabilidade da participação das forças armadas nas ações conjuntas das forças-tarefas contra o crime organizado e o tráfico pesado, o governo brasileiro vai empurrando para o campo da sucata as instituições responsáveis pela defesa da Pátria e da Nação. Através de nota oficial, o Comando da Marinha informou que deverá diminuir em 80% a incorporação de recrutas previstas para o segundo semestre deste ano, e, além disso, reduzir um dia de trabalho por semana de seu efetivo ? tudo isso como forma de conter gastos. Antes da Marinha, o Exército, através de seu Centro de Comunicação Social, havia divulgado sua pretensão em antecipar para 31 de julho a saída de 44 mil recrutas que deveriam deixar a caserna apenas a partir de dezembro deste ano. Em 2002, o orçamento das Forças Armadas e do Ministério da Defesa recebeu um corte de R$ 2,175 bilhões e dos R$ 1,381 bilhão previsto para custeio e investimentos foram liberados apenas R$ 802 milhões. Nesta conjuntura, onde a insegurança interna é uma das grandes preocupações da sociedade brasileira, o País ? através de seu governo federal ? vai sendo desarmado do pouco que dispunha para sua defesa externa. Nunca é tarde lembrar a instabilidade do mundo globalizado, onde atos de agressão internacional têm pipocado nos mais diversos pontos do planeta. No caso da América Latina, cresce a força e poder dos traficantes de armas e drogas, ameaçando fronteiras e populações inteiras. Nessa hora, o sonho da paz não pode ficar desprotegido.