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Totens e tabus

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Povoado por totens e tabus, duendes e feiticeiros, ainda é mistério insondável a cabeça do eleitor. Nos anos 80, PMDB em alta, a corrida pela Prefeitura de São Paulo estava praticamente definida com a vitória de Fernando Henrique, o FHC, derrotando o meio alquebrado Jânio Quadros. A coisa estava tão certa que o líder das pesquisas, antecipando-se ao resultado das urnas, posaria para fotos sentado na cadeira do prefeito. A decepção foi imensa. Jânio Quadros seria o eleito com razoável vantagem, vitória atribuída ao conservadorismo do eleitorado paulistano que não digeriu o confesso ateísmo de FHC. Muito menos, o admitido fato de o futuro presidente ter sido usuário do ?bagulho?. Parece que FHC aprendeu a lição. Desde aquele nefasto episódio passaria a professar um cristianismo com a inquebrantável fé dos catecúmenos. Carlos Prestes, o grande nome do comunismo brasileiro, não escapou dos estigmas. É que o ?Cavaleiro da Esperança? teria ficado solteiro até próximo dos quarenta anos, além de, segundo alardeava-se, em completo estado virginal. Seus inimigos, sem condições morais de o torturarem fisicamente, açoitavam-lhe a honra divulgando suposto homossexualismo, insinuando que o relacionamento com Olga Benário, a lendária militante alemã, não passava de um jogo de cena. Nessa linha, teria havido terceirizações de função para cristalizar a célebre gravidez de Olga. A bem da verdade, embora com o histórico de integrar a vida sexual de antigos gregos e romanos, independentemente se filósofos, políticos ou soldados, o homossexualismo nunca foi tolerado pelas religiões em geral. Texto comum a vários braços monoteístas, o Velho Testamento relata exemplar e furiosa destruição de cidades, como opção pessoal do próprio Criador. Sob o impacto de novos ventos, aqui mesmo nas Alagoas, tradicional reduto de políticos machões barbudos e bigodudos, têm saído surpreendentes lições de superação de preconceitos. Enquanto isso, num retrocesso que desafia a própria biografia, a sexóloga petista Marta Suplicy, a caminho de fragorosa derrota, mais uma vez aposta no conservadorismo paulistano e insinua suposto homossexualismo do concorrente Kassab, suposição, diga-se de passagem, que não chega a ser uma novidade para aquela comunidade. Pelo visto, a candidata lulista é partidária do ideário de que ?feio é perder?. Logo ela, em cujo currículo pesa a dor de ornamentar a fronte augusta do marido com um milongueiro argentino. (*) É médico e professor da Ufal.

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